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Ratzinger, o destruidor da Religiao Católica

Ratzinger, o destruidor da Religiao Católica

A cada dia que passa as noticias vão se acumulando acerca da traição que Mons. Fellay faz a Igreja, mediante os acordos e tratativas inadmissíveis com o herege que chefia a Nova Igreja pós conciliar, contrariando até mesmo o comportamento prudencial do Fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Mons. Marcel Lefebvre.

De um lado, a vergonhosa carta onde ele, acompanhado dos demais bispos sagrados em 1.998, pede ao impostor a retirada do decreto das excomunhões, que eles sempre defenderam como sendo nulas, e que agora admitem, deitando por terra mais de vinte anos de combates contra a Roma Modernista e Liberal.

Do outro, o falso papa, inimigo publico da Igreja, destruidor do patrimônio católico, retirando o decreto como um ato de bondade e misericórdia para com os “bispos excomungados”, numa afronta a memória de Mons. Lefebvre e Dom Antonio de Castro Mayer.

A principio, Mons. Fellay disse que a retirada do decreto era um ato unilateral, e que nada era exigido da Fraternidade. No entanto, uma nota da Cúria Romano diz que a condição para que tudo se confirme é a aceitação irrestrita do conciliabulo herético do Vaticano II e suas reformas, especialmente a Nova Missa, verdadeiro atentado a Liturgia Católica do Santo Sacrifício.

Até quando os padres da Fraternidade consentirão nessa traição publica da Fé? Até quando se calarão ante a obra de destruição da Fraternidade? Até quando permitirão que esse superior inescrupuloso deite sobre seus ombros a ignomínia da traição a Fé Católica, mediante um acordo suicida com a Roma Apostata e Sede do Anti-Cristo?

Que Nossa Senhora do Bom Conselho toque o coração dos sacerdotes e dos demais bispos da Fraternidade para que não consintam nessa obra satânica de destruição de uma obra que visa manter o Sacerdócio Católico e Santa Missa, juntamente com a Doutrina Católica de Sempre. Que São Miguel Arcanjo venha em socorro da Fraternidade. E que o Glorioso Patriarca São José os assista nesse momento em que o espírito de Judas ronda a casa geral da Fraternidade!

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Desde sábado, 24 de janeiro, a internet tem veiculado o texto da revogação das excomunhões dos bispos sagrados por Mons. Marcel Lefebvre em 30 de junho de 1.988.

Há uma euforia nos meios ditos tradicionalistas ligados a Fraternidade, seguida de expressões de decepção ou incompreensão nos meios modernistas e até mesmo neoconservadores.

No entanto, a iniciativa do Vaticano, se de um lado, nada exigiu da Fraternidade para produzir-se, de outro não reparou a justiça devida, uma vez que não declarou a nulidade do decreto de excomunhão, mas simplesmente o levantou a partir da data de 21 de janeiro de 2.009.

Dessa forma prossegue a condenação infligida aos bispos já falecidos.

O que muda para os verdadeiros católicos a revogação das sobreditas excomunhões?

Nada!

A Roma moderna, segundo uma expressão cara a Mons. Lefebvre, não é a Roma Católica, Guardiã da Fé, detentora do Magistério Universal da Igreja.

A Roma moderna é usurpadora da Sé de Pedro. Seus atos sempre foram nulos, vazios e sem efeito. Desde que ela criou a nova religião do Vaticano II, com sua nova missa, seu novo direito e catecismo, com uma nova filosofia e uma nova teologia, ela se separou da verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vemos que a Fraternidade vai cada vez mais se afastando do ideal de seu fundador, que no final de sua vida afirmava que Roma havia perdido a fé, que estava em apostasia, que era a sede do anticristo.

Sabemos que Mons. Lefebvre, tanto quanto Dom Castro Mayer, jamais levaram a lógica até suas ultimas conseqüências, o que hoje conduz seus filhos à traição da Fé e a apostasia da nova igreja, já que consideram os atos dos falsos papas como sendo de verdadeiros sucessores de São Pedro.

A Fraternidade está a um passo da desagregação, da traição publica e do desmoronamento característico de todos os institutos que se submeteram a Nova Igreja.

Quanto a nós, sedevacantistas, não temos parte com eles. Somos fieis a Roma Eterna. E com a graça de Deus queremos morrer como verdadeiros filhos da Igreja.

Desde sábado, 24 de janeiro, a internet tem veiculado o texto da revogação das excomunhões dos bispos sagrados por Mons. Marcel Lefebvre em 30 de junho de 1.988.

Há uma euforia nos meios ditos tradicionalistas ligados a Fraternidade, seguida de expressões de decepção ou incompreensão nos meios modernistas e até mesmo neoconservadores.

No entanto, a iniciativa do Vaticano, se de um lado, nada exigiu da Fraternidade para produzir-se, de outro não reparou a justiça devida, uma vez que não declarou a nulidade do decreto de excomunhão, mas simplesmente o levantou a partir da data de 21 de janeiro de 2.009.

Dessa forma prossegue a condenação infligida aos bispos já falecidos.

O que muda para os verdadeiros católicos a revogação das sobreditas excomunhões?

Nada!

A Roma moderna, segundo uma expressão cara a Mons. Lefebvre, não é a Roma Católica, Guardiã da Fé, detentora do Magistério Universal da Igreja.

A Roma moderna é usurpadora da Sé de Pedro. Seus atos sempre foram nulos, vazios e sem efeito. Desde que ela criou a nova religião do Vaticano II, com sua nova missa, seu novo direito e catecismo, com uma nova filosofia e uma nova teologia, ela se separou da verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vemos que a Fraternidade vai cada vez mais se afastando do ideal de seu fundador, que no final de sua vida afirmava que Roma havia perdido a fé, que estava em apostasia, que era a sede do anticristo.

Sabemos que Mons. Lefebvre, tanto quanto Dom Castro Mayer, jamais levaram a lógica até suas ultimas conseqüências, o que hoje conduz seus filhos à traição da Fé e a apostasia da nova igreja, já que consideram os atos dos falsos papas como sendo de verdadeiros sucessores de São Pedro.

A Fraternidade está a um passo da desagregação, da traição publica e do desmoronamento característico de todos os institutos que se submeteram a Nova Igreja.

Quanto a nós, sedevacantistas, não temos parte com eles. Somos fieis a Roma Eterna. E com a graça de Deus queremos morrer como verdadeiros filhos da Igreja.

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P: É necessaria alguma declaração para que um Papa incidente publicamente em heresia perca o cargo?


R:
Ensina Paulo IV, confirmando o que a Sé Romana sempre ensinou, que a perda do cargo se dá “ipso facto” no ato público do antes papa agora “a fide devius” (desviado da Fé). Não é necessária nenhuma declaração posterior (sine ulla declaratione).

P: Mas a Igreja não ensina que ninguém na terra tem poder para julgar o Papa?

R: Sim, isto é ensinado pela Igreja, porém é referente ao Papa no exercício do cargo, isto é, enquanto católico. Bonifácio VIII traz a palavra de São Paulo: “Spiritualis homo judicat omnia; ipse autem a nemini judicatur” (1 Cor 2,15; D.S. 873). Inocêncio III ensinou para os fiéis o direito de julgar a um papa infiel: “Tendo eu só a Deus por juiz nos outros pecados, só no pecado que eu cometesse contra a Fé, poderia eu ser julgado pela Igreja”. E refere a causa, o juízo divino: “porque quem não crê já está julgado” (Jo. 3,18).(P.L. 27,656s; IV Sermão sobre o Romano Pontífice). E o “criterium veritatis” para isso é a unidade visível de Fé dessa pessoa com as Escrituras, a Tradição e o Magistério Universal dos papas e Concílios, de toda a Igreja universal de todos os tempos. O herético, “separado” dele, não é o juiz do fiel; é o inverso: o fiel é que é o juiz do herético e até dos anjos infiéis. São Paulo anatematiza tal doutrina que faculta ensinar “além do recebido” (Gal. 1,8-9). O Concílio de Éfeso ensinou que o antes Superior, incidente em heresia, “estará subordinado” (subjacebit), ao antes inferior ortodoxo.

P: Mas o Vaticano I não ensina que o Papa é infalível?

R: Nem ao Papa Deus tira o livre arbítrio, como não tirou dos anjos. O Concílio se refere ao Papa enquanto pessoa pública, portanto, fiel; submetido ao magistério de seus predecessores, e não à pessoa privada. Estando, em seu Magistério, fiel ao passado, o Papa no exercício do cargo terá a assistência do Espirito Santo para ensinar infalivelmente algo que até então era objeto de discussão entre os teólogos, ou seja, afirmar um dogma. A Infalibilidade do Papa é intrínseca à infalibilidade da Igreja. Um papa – embora não deva – contudo ele pode ter “juízo próprio livre” (Tit. 3,10-11), ser herético, “separando-se da Igreja pela natureza do seu delito” (D.S. 3803). Leão XIII ensina: “É absurdo que presida na Igreja quem está fora da Igreja” (Satis cognitum). O Direito Canônico reitera isso (Cânon 188,4). Donde ser herético é não ser papa. Isso foi exposto no Concílio Vaticano I pelo bispo Relator da Fé, Mons. Vicente Gasser: “Hinc non loquimur de infalibilitate personali – quamvis personae Romani Pontificis eam vindicemos – sed non quatenus est persona singularis, sed quatenus est persona Romani Pontificis, seu persona pública” (Mansi, 53, col. 1213, A).

P: Mas já ocorreu na História da Igreja o caso de algum Papa incidente em heresia?

R: Tal doutrina foi aplicada, de modo certo, pelo Magistério universal da Igreja, ao caso concreto singular do papa Honório I: Consta da Profissão de Fé papal (Fides Papae) do Líber Diurnus Romanorum Pontificum, nº 84. São Leão II condenou Honório como herético (D.S. 563). Adriano I também, no VII Concílio. Adriano II também, no VIII Concílio (J. Alberigo, Conc. Oecum. Decreta).

P: Mas Nosso Senhor não disse que as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja?

R: O símbolo da Fé é o fundamento firme e ÚNICO sobre o qual as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja. (D.S 1500)

P: Como saber se a “hierarquia” do Vaticano II é ou não católica?

R: Ensinou o papa São Celestino I: “Não temos por católico o que for contra o já fixado.”

P: Se estes Papas fossem verdadeiros, segundo o Magistério, poderíamos negar-lhes obediência?

R: Não. Se estes Papas fossem verdadeiros deveríamos para com eles “inteira submissão” (Unam Sanctam), NÃO SOMENTE no que se refere à Fé e à Moral, mas também à DISCIPLINA e ao REGIME DE GOVERNO (Vaticano I).

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A BULA CUM EX APOSTOLATUS

DO PAPA PAULO IV

SOBRE AUTORIDADES HERÉTICAS

“Nenhum outro pecado é maior nem mais pernicioso na Igreja de Deus”

Papa Paulo IV

“In domum domini ibimus”(1)

Aos leitores católicos

Neste trabalho nos propusemos a repetir o Magistério da Igreja, interpretar os textos por meio de outros contextos do mesmo Magistério, seguindo aos maiores teólogos da Igreja. Como pensamos que neste momento da história da Igreja não existe autoridade ortodoxa com poderes jurisdicionais ordinários para autorizar este trabalho, desde já nos submetemos inteiramente à autoridade que venha a existir em um futuro próximo, como estabelece o *7 da mesma bula aqui analisada. Na parte histórica sobre Paulo IV e a Bula, temos contado com a valiosa colaboração de Araí Daniele, que muito se esforçou na publicação deste trabalho em várias línguas.

HOMERO JOHAS

DISPOSIÇÃO DAS MATÉRIAS

0 – Introdução

0.1- Atualidade da Bula de Paulo IV

0.2- Breves informações sobre Paulo IV

0.3- Promulgação da Bula

0.4- Texto, tradução e comentários

Tradução da Bula Cum ex Apostolatus

Comentários sobre os principais pontos doutrinais da bula

Exórdio: A unidade da Fé na Igreja.

1- Até o Romano pontífice pode desviar-se da Fé

2- O delito de heresia e as penas eclesiásticas

3- A definição da vacância por heresia

4- O dever de por fim à vacância

5- O delito de favorecer a heresia

6- A nulidade da eleição de um hereje

7- O desvio da obediência e o aleijamento físico do hereje

8- A perenidade da Bula

9- A publicação solene da Bula

10-A responsabilidade moral dos fiéis

Conclusão

Laus et gloria Deo nostro(2)

0 Introdução

0-1-Atualidade da Bula de Paulo IV

Vivemos tempos de tormentos, nos quais se afirma que o fumo de satanás entrou na Igreja de Deus, e que existe uma autodemolição da igreja. O fluxo de herejes é livre, sem que aqueles que dizem possuir o poder jurisdicional ordinário para reger a Igreja reprimam aos desviados e contumazes com penas salutares coagindo-os a distanciar-se do rebanho de Cristo (DS 2605). Bem, esta Bula Cum ex Apostolatus oficio é da época do Tridentino, quando a heresia protestante avassalava multidões; por meio desta, Paulo IV tinha a intenção de impedir que os desviados da Fé levassem aos fiéis pelo terrível caminho da contaminação dos que ocupavam cargos de jurisdição, principalmente na Igreja. A Bula tem hoje, portanto, enorme atualidade e constitui um poderoso instrumento de ação nas mãos dos fiéis. Por isso é oportuno traduzi-la, publicá-la, estudá-la e comentá-la de modo completo, pois, como é óbvio, os que se desviam da Fé estão sumamente interessados em traduções tendenciosas e interpretações que favoreçam a permanência de herejes públicos e notórios no governo dos fiéis. Tais comentários tendenciosos se repetem também sobre o cânon 188, 4, do Código de Direito Canônico de 1917, que é uma repetição da doutrina, definição e norma desta Bula. Em vinte séculos de Magistério, a Bula não é o primeiro nem o último documento do Magistério sobre esta matéria; todavia, é um monumento que sobressai entre os demais, um baluarte inamovível para a defesa da Fé cristã. Sua parte central é a definição da vacância ipso facto (3) de todo e qualquer cargo jurisdicional eclesiástico pelo delito formal de heresia pública. É uma definição que transcende o direito positivo humano, que reitera o Direito Divino e que portanto se estende também ao próprio cargo papal no que a jurisdição é outorgada jure divino (4). Diminuem e alteram o credo católico os que erguem contra a definição de vacância aqui proferida por Paulo IV, os que a omitem agindo como se não existisse, os que a subtraem do patrimônio doutrinário legado pela antiguidade cristã.

Que esta página solene e grave o Magistério supremo da Mãe e Mestra infalível da verdade ilumine em nossos dias as almas de boa vontade e contribua a “capturar as raposas que trabalham para destruir a vinha do Senhor e apartar aos lobos das ovelhas” (1.5)

0.2- Breves informações sobre Paulo IV (1555-1559)

Giovani Pietro Carafa, sobrinho do cardeal Oliviero Carafa, nasceu em 28 de junho de 1476, de família dos condes Maddaloni de Nápoles. Recebeu esmerada educação em Roma, junto ao seu tio, chegando a ser um profundo conhecedor de latim, grego e hebraico, estabelecendo correspondência com notórios pensadores da época entre os quais se encontrava Erasmo, que veio em seu auxílio na tradução latina da Sagrada Escritura a partir dos originais hebraicos e gregos. Vivendo em uma época de acentuadamente mundana na corte de Alexandre VI onde serviu como camareiro durante a época de seus estudos, foi sempre respeitado pela retidão de seu caráter demonstrada em uma vida elevada e austera, assim como também pela sua grande cultura.

Sua notável formação em letras, teologia e direito, assim como sua eloqüência ciceroniana, lhe abriram o caminho a todos os graus da hierarquia. Converteu-se em um experimentado advogado, conselheiro de vários papas e núncio apostólico na Espanha e Inglaterra. Consagrado bispo de Chieti (Theate em Latim), Giovani Pietro Carafa foi viver e trabalhar em sua diocese, o que para a época era um exemplo edificante. Clemente VII o autorizou depois a renunciar ao cargo diocesano para fundar, junto com Gaetano Thiene, a ordem dos Teatinos, cuja finalidade era a de lutar contra as heresias tanto pela pregação, como pela simplicidade de vida. Em 1536, Paulo III o elevou à dignidade de cardeal arcebispo de Nápoles e o fez membro da Comissão para a Reforma da Igreja. Não tendo êxito a tentativa feita por Gaspare Contarini em Regensburg, no ano 1541, para reconciliar aos protestantes com a Igreja, o cardeal Carafa tomou em Nápoles medidas eficazes contra a heresia: reativou a Inquisição e em 1543 estabeleceu a censura. Em 1550, Julio III o nomeou como um dos grandes inquisidores do Santo Ofício e, em 1553, dado que o Papa o queria mais perto de Roma, foi nomeado cardeal arcebispo de Ostia.

O cardeal Carafa foi conhecido como inimigo do falso humanismo que, a partir do paganismo, inspirou o Renascimento naturalista e que contribuiu para a insubmissão protestante. Seus adversários o acusaram de “zelo excessivo”. No conclave de 1555, à sucessão de Marcelo II, em meio a dificuldades e divisões entre os eleitores, o cardeal Farnese disse: “Elejamos, pois a Carafa: o santo e venerado senhor do Colégio Cardinalício é digno do papado”. Tinha então 79 anos. Diante de sua impopularidade ante os franceses e da oposição ao seu nome por parte do partido espanhol-imperial, fiel a Carlos V, sua eleição parecia impossível. Na História dos Papas, Von pastor escreveu: “O autor da História dos Conclaves somente pôde explicar isto como um milagre, um dos milagres dos conclaves, pelos quais Deus verdadeiramente faz os papas”. Eleito papa em 23 de maio de 1555, tomou o nome de Paulo IV.

Foi um papa tridentino, compromissado com Deus e sua Igreja: o objetivo principal do seu pontificado foi a luta contra as heresias e uma verdadeira reforma da Igreja, começando pelo modo de vida mundano da corte papal. Renovou o Colégio Cardinalício, combateu a simonia, impulsionou aos bispos a obrigação de residência nas dioceses, disciplinou aos religiosos vagos, melhorou as escolas de teologia, restabeleceu a disciplina monástica, reativou a Inquisição, fez retirar as pinturas imodestas das igrejas romanas, incrementou o culto divino e a devoção eucarística. Denunciou como ilícita a Paz de Ausburgo que se fundava em um compromisso imoral que comprometia a verdadeira liberdade da Religião Católica. Preferiu combater as heresias através das comissões ou congregações romanas sob que estavam sob sua direção, até que chegasse o momento adequado para reativar o Concílio de Trento, suspendido em 1552.

Morreu santamente cantando o Salmo 121: In domum Domini ibimus. Suas reformas preservaram a pureza da Fé e do culto, razão lhe seguiu um período de pontífices virtuosos. Mostrou-se tão santo e culto, que São Pio V, seu contemporâneo e sucessor, quis iniciar o processo para sua canonização e em sinal de sua veneração para com ele usava seus hábitos e ornamentos. “Deve-se a Paulo IV tudo quanto de Fé, Religião e Culto divino permanece na Igreja”, escreveram os cardeais Saviati e Arigone. O historiador Giambattista Gastaldo escreveu sobre ele: “Alguém chamou a Paulo IV o grande (…), eminente por sua cultura e famoso por seu zelo em relação à santa Fé Católica. Foi considerado um santo na cátedra de Pedro”.“Castigador sem mácula se todo o mal e acérrimo campeão da Fé Católica” é o epitáfio gravado em seu mausoléu.

0.3- A promulgação da Bula

A Bula data do último ao de vida de Paulo IV, 1559. Os inimigos do papa a atribuíram a razões ocultas contra pessoas nas quais ele não confiava, como o influente cardeal Giovani Moroni, a quem mandou prender por suspeita de heresia. Temendo uma invasão da Igreja nos seus postos chaves, por parte de cripto-heréticos, Paulo IV era lento em fazer nomeações para os cargos episcopais vacantes. Não ocultava que julgava seu dever o tomar severas medidas diante da situação bastante grave e confusa de sua época. Tais razões foram expostas em diversos atos seus, como o Index Librorum Prohibitorum (5) e a Bula Cum secundum Apostolum (6) de 16 de dezembro de 1558, como penas severas contra cardeais incursos em simonia ou em convênios políticos para conquistar a Tiara.

No é de admirar, pois, o ódio e as calunias suscitadas pelos inimigos da Fé contra este papa intrépido e contra alguns de seus atos, como a Bula que agora traduzimos. Faz-se um processo contra seu zelo e sobre suas intenções ocultas, aduzindo a dois exemplos: O cardeal Moroni havia sido encarregado e incriminado por ele, sem provas, já que, depois de sua morte, foi liberado e participou do conclave para a eleição de um novo papa, até como candidato. E o cardeal Pole, inglês, atacado pelo cardeal Carafa no conclave de 1549 por sua inclinação às doutrinas protestantes sobre justificação, e que por apenas um voto não foi eleito papa em 1557, foi acusado ante a Inquisição e deposto do cargo de legado papal. O processo contra ele terminou em 1558 por causa de sua morte.

A acusação estes cardeais era de simpatia para com os protestantes, e, em conseqüência, de conduta política ambígua. Em 1540, Pole se estabeleceu em Viterbo e ao redor dele, do cardeal Moroni e de Vittoria Colona se reuniu o grupo de protestantes espirituais que, com doutrina equívoca, esperava uma conciliação com os protestantes em matéria de Fé. Estavam inclinados a aceitar a doutrina luterana da justificação só pela Fé fiducial, chegando a acolher a doutrina da dupla justiça, rechaçada depois pelo Concílio de Trento. Difundiam um pequeno tratado herético sobre o Benefício de Cristo, depois condenado.

O perigo destas correntes se revelou naqueles anos com a defecção o austero pregador Occhino, ex-vigário geral da ordem dos capuchinhos e do cônego Vermighi, mestre e pregador: ambos passaram ao protestantismo. No se provou que Moroni e Pole aderissem à heresia, mas correspondia a eles e não aos outros, remover as suspeitas sobre eles mesmos e proclamar de modo inequívoco a Fé Católica. Eram propensos a uma “abertura” doutrinal e estando próximos a serem eleitos para o Supremo Pontificado, constituíam um perigo enorme para a Fé. No conclave de 1566, Moroni todavia era uma ameaça, pelo que o cardeal Ghislieri, futuro São Pio V, depois de ser providencialmente eleito, recordou que seria nula a eleição de um hereje. “Mais tarde confessou que aceitou sua eleição porque de outro modo, com seguro detrimento para a Igreja, ela poderia talvez ter caído sbre Moroni” (Pastor, ibidem).

Pelo contexto histórico e por outros termos da Bula, se vê que Paulo IV intentou defender a Igreja não somente da heresia aberta do protestantismo, mas, também, dos compromissos ocultos com a heresia, o que é mais danoso, pois estende a doutrina da Fé à tolerância e fraternidade também devida aos errantes e abre o caminho aos heterodoxos para a ocupação dois mais altos cargos da jurisdição ordinária na Igreja, ocupação nula, mas de fato danosa.

O incansável zelo de Paulo IV foi seguido igualmente por Pio V, que, apenas eleito, em 1566, através do motu próprio Inter Mulitiplices (7), confirmou a Bula Cum ex Apostolatus Officio (8) neste termos: “Aderindo Nós à Constituição de Paulo IV contra os herejes e cismáticos (…), pelo teor das presentes letras, as confirmamos e renovamos e queremos e mandamos que (…) seja inviolavelmente (inviolabiliter) observada ao pé da letra (ad unquem)”. Como Paulo IV, também Pio V revigorou a Inquisição, que condenou o racionalismo de Lélio e Fausto Socini e considerou como herejes contumazes a Pietro Carnesechi, do grupo de Viterbo, e ao humanista Aonio Paleario, ademais de condenar a Michel du Bay (Baius), cujas doutrinas constituem uma transição entre Lutero e Jansenio.

0.4- Texto, Tradução e Comentários

Traduzimos a Bula de Paulo IV a partir do texto latino do Bullarium de Carlos Cocquelines, Roma (1739-1762), republicado em Buenos Aires pelo lefebvrista Pe. Ceriani, em 1990. O Diccionário de Teologia Católica disse de Cocquelines: é uma “excelente edição, feita com cuidado sobre os originais conservados em arquivos secretos no Vaticano” (Bulario). O texto sem embargo tem algumas pequenas diferenças se comparado a outros. Assim, em 0.3, traz scientius (9), no entanto, o Magnum Bullarium Romanum de Ângelo Maria Cherubini (Lyon, 1655), põe ali licentius (10). Os títulos dos parágrafos da Bula parecem ser de colocação posterior aos originais e um indício disso é que não coincidem sempre com o termino dos períodos gramaticais. No texto de Cocquelines, assim, encontramos o título do *7 antes do termino do período gramatical anterior colocado no *6. Outros textos, como o do cardeal Gasparri: Codicis Júris Canonicis Fontes (Romae, 1917, Typis poliglotis Vaticanis) não coloca este título: Subditis que eorum liceat ab oboedientia et devotione impune recedere (Cocquelines), antes do termino do período anterior. Por parecer-nos mais conforme ao sentido os contextos seguimos estas duas alterações de Cocquelines: a de licentius (11) e a da colocação do título do *7 depois do termino do período antecedente.

Na tradução tratamos de obter a máxima fidelidade ao sentido dos termos e proposições e para isso nos esforçamos em evitar perífrases e circunlóquios, buscando manter, em tudo possível, na língua neo-latina, os termos semelhantes aos da língua mãe, cujo sentido não alterou a semântica. Para muitos a tradução da Bula parece obra difícil pela grande extensão dos períodos no original latino: por essa dificuldade as traduções às vezes não são fiéis ao sentido original. Outros desfiguram as traduções seja por ignorância do latim ou por exegese tendenciosa.

Não temos a intenção de comentar verbum ad verbum (12) os textos da Bula nem de falar de todas as regras jurídicas às quais de refere a mesma. Nossa principal finalidade é a de destacar a parte doutrinal conexa às partes jurídicas, mostrar a relação entre a Bula e a Tradição, a Bula e o Código de 1917, o Direito Divino reiterado pelo humano e por distinguir o meramente humano do divino. Longe de nós está pretender vincular uma página do Magistério Supremo da igreja, lições infalíveis, a intenções ocultas, flutuações psicológicas humanas, a zelo desordenado. Os que não conseguem destruir a verdade doutrinal infalível se esforçam solapada e traiçoeiramente em atacar as qualidades humanas de quem atuou revestido com o carisma divino da infalibilidade.

O documento tem dupla natureza (doutrinal e canônica), ambas vinculadas pelo mesmo fim: “expulsar do redil de Cristo aos que (…) apoiando-se com maior licença em sua própria prudência, se sublevam (…) contra a disciplina da Fé ortodoxa e pervertem a inteligência das Sagradas Escrituras”. A Bula, baseada em termos jurídicos, exige, para ser entendida, o conhecimento da definição dos mesmos e das regras às que se referem seja no direito civil, seja no eclesiástico.

Deixamos pois esses termos e conservamos assim mesmo a forma original dos largos períodos, o que, a nosso modo de ver, não somente não impede, mas facilita a compreensão do texto original e da conexão entre suas partes. Para melhor compreensão e separação das partes, damos títulos novos aos parágrafos já encontrados no texto latino, mesmo que, como dissemos, o termino de um parágrafo e começo de outro seja divergente entre as distintas edições. Também numeramos as partes internas de cada parágrafo, o que facilita as referências. A tradução foi feita ad amussim e a exegese é para principalmente elucidar as normas divinas e eclesiásticas sobre a aparição de um papa ou de bispos heréticos, preocupação central de Paulo IV.

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  1. Iremos à casa do Senhor.
  2. Louvor e gloria ao nosso Deus
  3. Pelo mesmo ato.
  4. Pelo direito divino
  5. Índice de livros proibidos
  6. Segundo os apóstolos
  7. Entre muitos
  8. A causa do ofício do apostolado.
  9. Sabido
  10. Permitido
  11. Permitido
  12. Palavra por palavra

CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO

PAULO IV

Bula sobre a perda de jurisdição dos hereges e dos cismáticos.

De 15 de fevereiro de 1.559.

EXÓRDIO

O Papa tem o dever de impedir o magistério do erro.

Dado que por nosso Ofício Apostólico, divinamente confiado a Nós, ainda que sem mérito algum de nossa parte, Nos compete um cuidado sem limites do rebanho do Senhor; e consequentemente, a maneira de Pastor que vela, em benefício de sua grei e de sua salutar condução, estamos obrigados a uma assídua vigilância e a procurar com particular atenção que sejam excluídos do rebanho de Cristo aqueles que em nossos tempos, seja já pelo número predominante de seus pecados ou por confiar com excessiva liberalidade em sua própria capacidade, se levantam contra a disciplina e a verdadeira Fé de um modo realmente perverso, e transtornam com malévolos recursos e totalmente inadequados a compreensão das Sagradas Escrituras, com o propósito de atingir a unidade da Igreja Católica e a túnica inconsútil do Senhor, e para que não prossigam no ensino do erro, os que desprezam ser discípulos da Verdade.

1. Quanto mais alto está o desviado de Fé, mais grave é o perigo.

Considerando a gravidade particular desta situação e seus perigos a ponto que o mesmo Romano Pontífice, que como Vigário de Deus e de Nosso Senhor tem o pleno poder na terra, e a todos julga e não pode ser julgado por ninguém, se fosse encontrado desviado da Fé, poderia ser acusado e dado que donde surge um perigo maior, ali mais decidida deve ser a providência para impedir que falsos profetas e outras pessoas que detenham jurisdições seculares não tenham lamentáveis laços com as almas simples e arrastem consigo para a perdição inumeráveis povos confiados a seu cuidado e a seu governo  nas coisas espirituais ou nas temporais; e para que não aconteça algum dia  que vejamos no Lugar Santo a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel; com a ajuda de Deus para Nosso empenho pastoral, não seja que pareçamos cães mudos, nem mercenários, ou amaldiçoados maus vinicultores, queremos capturar as raposas que tentam desolar a Vinha do Senhor e rechaçar os lobos para longe do rebanho.

2. Confirmação de toda providencia anterior contra todos os desviados.

Depois de madura deliberação com os Cardeais da Santa Igreja Romana, nossos irmãos, com o conselho e o unânime assentimento de todos eles, com Nossa Autoridade Apostólica, aprovamos e renovamos todas e cada uma das sentenças, censuras e castigos de excomunhão, suspensão, interdição e privação, e outras, de qualquer modo adotadas e promulgadas contra os hereges e cismáticos, pelos Pontífices Romanos, nossos Predecessores, ou em nome deles, incluso as disposições informais, dos Santos Concílios admitidos pela Igreja, os decretos e estatutos dos Santos Padres, os Cânones Sagrados, ou por Constituições e Resoluções Apostólicas. E queremos e decretamos que ditas sentenças, censuras e castigos, sejam observadas perpetuamente e seja restituída a sua total vigência se estiveram em desuso, e devem permanecer com todo seu vigor. E queremos e decretamos que todos aqueles que até agora tenham sido encontrados, ou tenham confessado, ou sejam convictos de terem-se desviado da Fé Católica, ou de haverem incorrido em alguma heresia ou cisma, ou de terem suscitado ou cometido; ou bem os que no futuro se apartarem da Fé (o que Deus se digne impedir segundo sua clemência e sua bondade para com todos), ou incorrerem em heresia, ou cisma, ou os suscitarem ou cometerem; ou bem os que houverem de ser surpreendidos de ter caído, incorrido, suscitado ou cometido, ou o confessarem, ou o admitirem, de qualquer grau, condição e preeminência, inclusive Bispos, Arcebispos, Patriarcas, Primazes, ou de qualquer outra dignidade eclesiástica superior; ou bem Cardeais, ou Legados perpétuos ou temporais da Sé Apostólica, com qualquer destino; ou os que sobressaiam por qualquer autoridade ou dignidade temporal, de conde, barão, marquês, duque, rei, imperador, enfim queremos e decretamos que qualquer um deles incorram nas sobreditas sentenças, censuras e castigos.

3. Privação ipso facto de todo oficio eclesiástico por heresia ou cisma.

Considerando que os que não se abstém de fazer mal por amor da virtude devem ser reprimidos por temor dos castigos, e que Bispos, Arcebispos, Patriarcas, Primazes, ou de qualquer outra dignidade eclesiástica superior; sejam Cardeais, Legados, condes, barões, marqueses, duques, reis, imperadores, que devem ensinar aos demais e servir-lhes de bom exemplo, a fim de que perseverem na Fé Católica, com sua prevaricação pecam mais gravemente que os outros, pois que não só se perdem eles, senão que também arrastam consigo para a perdição os povos que lhes foram confiados; pela mesma deliberação e assentimento dos Cardeais, com esta Nossa Constituição, válida perpetuamente, contra tão grande crime – que não pode haver outro maior nem mais pernicioso na Igreja de Deus – na plenitude de Nossa autoridade Apostólica, sancionamos, estabelecemos, decretamos e definimos que pelas sentenças, censuras e castigos mencionados (que permanecem em seu vigor e eficácia e que produzem seu efeito), todos e cada um  dos Bispos, Arcebispos, Patriarcas, Primazes, ou de qualquer outra dignidade eclesiástica superior; sejam Cardeais, Legados, condes, barões, marqueses, duques, reis, imperadores, que até agora  (tal como  se declara precedentemente) tiverem sido surpreendidos, ou houverem confessado, ou estejam convictos de se terem desviado (da Fé católica), ou de haver caído em heresia, ou de haver incorrido em cisma, ou de ter suscitado ou cometido; ou também os que no futuro se apartarem da Fé católica, ou caírem em heresia, ou incorrerem em cisma, ou os provocarem, ou os cometerem, ou os que forem surpreendidos ou confessarem ou admitirem haver se desviado da Fé Católica, ou haver caído em heresia, ou haver incorrido em cisma, ou tê-los provocado ou cometido, dado que nisto resultam muito mais culpáveis que os demais, fora das sentenças, censuras e castigos, enumerados, (que permanecem em seu vigor e eficácia e que produzem seus efeitos), todos e cada um dos Bispos, Arcebispos, Patriarcas, Primazes, ou de qualquer outra dignidade eclesiástica superior; sejam Cardeais, Legados, condes, barões, marqueses, duques, reis, imperadores, caíram privados também por essa mesma causa, sem necessidade de nenhuma instrução de direito ou de fato, de suas hierarquias, e de suas igrejas catedrais, inclusive metropolitanas, patriarcais e primazes; do título de Cardeal, e da dignidade de qualquer classe de Legado, e ademais de toda voz ativa e passiva, de toda autoridade, dos mosteiros, benefícios e funções eclesiásticas, com qualquer Ordem que for que tenham obtido por qualquer concessão e dispensação Apostólica, seja como titulares, ou como encarregados ou administradores, e nas quais, seja diretamente ou de alguma outra maneira houverem tido algum direito, ou os houverem adquirido de qualquer outro modo; caem assim mesmo privados de qualquer beneficio, rendido ou produzido, reservados ou assinados para eles. E do mesmo modo serão privados completamente, e em cada caso, de seus condados, baronias, marquesado, ducado, reino e império, e de forma perpétua, e de modo absoluto. E por outro lado sendo de todo contrários e incapacitados para tais funções, serão tidos ademais como relapsos e exonerados em tudo e para tudo, inclusive se antes houvessem abjurado publicamente em juízo tais heresias. E não poderão ser restituídos, repostos, reintegrados ou reabilitados, em nenhum momento, a primeira dignidade que tiveram, a suas Igrejas Catedrais, metropolitanas, patriarcais, primazes; ao cardinalato, ou a qualquer outra dignidade, maior ou menor, ou a sua voz ativa ou passiva, a sua autoridade, mosteiro, beneficio, ou condado, baronia, marquesado, ducado, reino o império, antes bem haverão de cair no arbítrio daquele poder que tenha a devida intenção de castigá-los, a menos que tendo em conta neles os sinais de verdadeiro arrependimento e aqueles frutos de uma congruente penitência, por benignidade da mesma Sé Apostólica ou por clemência houverem de ser relegados a algum mosteiro, ou em algum outro lugar dotado de um caráter disciplinário para fazer ali perpétua penitência com o pão da dor e a água da compunção. E assim serão tidos por todos, de qualquer dignidade, grau, ordem, ou condição que seja, e incluso, arcebispo, patriarca, primado, cardeal, ou de qualquer autoridade temporal, conde, barão, marquês, duque, rei o imperador, ou de qualquer outra hierarquia, e assim serão tratados e estimados, e ademais evitados como relapsos e exonerados, de tal modo que haverão de estar excluídos de todo consolo humano.

4. Pronta solução das vacâncias dos ofícios eclesiásticos.

Quem pretender ter um direito de patrono, ou de nomear pessoas idôneas para as Sedes Eclesiásticas vacantes por estas cercanias, a fim de que tais cargos, depois de haver sido livrados da servidão dos heréticos, não estejam expostos aos inconvenientes de uma longa vacância, mas sejam outorgados a pessoas capazes de dirigir os povos pelas vias da justiça, estão obrigados a apresentar ao Romano Pontífice os nomes de tais pessoas idôneas, dentro do tempo fixado por direito, de outra maneira, transcorrido o tempo previsto, a disponibilidade de tais Sedes retorna ao Pontífice Romano.

5. Excomunhão ipso facto para os que favorecerem a hereges ou cismáticos.

Incorrem em excomunhão ipso facto todos os que conscientemente ousam acolher, defender ou favorecer aos desviados ou lhes dêem crédito, ou divulguem suas doutrinas; sejam considerados infames, e não sejam admitidos a funções públicas ou privadas, nem nos Conselhos ou Sínodos, nem nos Concílios Gerais ou Provinciais, nem ao Conclave de Cardeais, ou em qualquer reunião de fiéis ou em qualquer outra eleição. Serão também impedidos e não poderão participar de nenhuma sucessão hereditária, e ninguém estará ademais obrigado a responder-lhes acerca de nenhum assunto. Se tiver algum a condição de juiz, suas sentencias carecerão de toda validez, e não se poderá submeter nenhuma outra causa a sua audiência; ou se for advogado, sua defesa será tida por nula, e se for escrivão seus papéis carecerão por completo de eficácia e vigor. Ademais os clérigos  serão privados também pela mesma razão, de todas e cada uma de suas igrejas, inclusive catedrais, metropolitanas, patriarcais e primazes; de suas dignidades, mosteiros, benefícios e ofícios eclesiásticos inclusive como já se disse, qualquer que seja o grau e o modo de sua obtenção. Tanto Clérigos como leigos, inclusive os que obtiveram normalmente e que estiverem investidos das dignidades mencionadas, serão privados sem maiores trâmites de seus reinos, ducados, domínios, feudos e de todos os bens temporais que possuam, seus reinos, ducados, domínios, feudos e bens serão propriedade pública, e como bens públicos haverão de produzir um efeito de direito, em propriedade daqueles que os ocupem pela primeira vez, sempre que estes estiverem sob nossa obediência, ou de nossos sucessores os Romanos Pontífices, eleitos canonicamente, na sinceridade da Fé e em união com a Santa Igreja Romana.

6. Nulidade de todas as promoções ou  elevações de

desviados na Fé.

Agregamos que se em algum tempo acontecer que um Bispo, inclusive na função de Arcebispo, ou de Patriarca, ou Primaz; ou um Cardeal, inclusive na função de Legado, ou eleito Pontífice Romano que antes de sua promoção ao Cardinalato ou assunção ao Pontificado, tivesse se desviado da Fé Católica, ou houvesse caído na heresia ou incorrido em cisma, ou o houvesse suscitado ou cometido, a promoção ou a assunção, inclusive se esta houver ocorrido com o acordo unânime de todos os Cardeais, é nula, inválida e sem nenhum efeito; e de nenhum modo pode considerar-se  que tal assunção haja adquirido validez, por aceitação do cargo e por sua consagração, ou pela subseqüente possessão ou quase possessão de governo e administração, ou pela mesma entronização ou adoração do Pontífice Romano, ou pela obediência que todos lhe tenham prestado, qualquer que seja o tempo transcorrido depois dos supostos sobreditos. Tal assunção não será tida por legítima em nenhuma de suas partes, e não será possível considerar que se tenha outorgado ou se outorga alguma faculdade de administrar nas coisas temporais ou espirituais aos que são promovidos, em tais circunstancias, a dignidade de bispo, arcebispo, patriarca ou primaz, ou aos que tenham assumido a função de Cardeais, ou de Pontífice Romano, senão que pelo contrário todos e cada um desses pronunciamentos, feitos, atos e resoluções e seus conseqüentes efeitos carecem de força, e não outorgam nenhuma validez, e nenhum direito a nada.

7. Os fieis não devem obedecer, senão evitar aos desviados na Fé.

E em conseqüência, os que assim houvessem sido promovidos e houvessem assumido suas funções, por essa mesma razão e sem necessidade de se fazer nenhuma declaração posterior, estão privados de toda dignidade, lugar, honra, título, autoridade, função e poder; e seja lícito, em conseqüência, a todas e a cada uma das pessoas subordinadas aos assim promovidos e assumidos, se não se tivessem apartado da Fé, nem houvessem sido heréticos, nem houvessem incorrido em cisma, ou o houvessem suscitado ou cometido, tanto os clérigos seculares e regulares, ou mesmo que os leigos; e aos Cardeais, inclusive aos que tenham participado na eleição desse Pontífice Romano, que com anterioridade se apartou da Fé, e era ou herético ou cismático, ou que tivesse consentido em outros pormenores e os tenham prestado obediência, e se tivessem ajoelhado ante ele; aos chefes, prefeitos, capitães, oficiais, inclusive de nossa materna Urbe e de todo o Estado Pontifício; assim mesmo aos que por acatamento ou juramento, ou caução se tenham obrigado e comprometido com os que nessas condições foram promovidos ou assumiram suas funções, (seja-lhes licito) subtrair-se a qualquer momento e impunemente da obediência e devoção de quem foi assim promovido ou entraram em funções, e evitá-los como se fossem feiticeiros, pagãos, publicanos ou heresiarcas, o que não obsta que estas mesmas pessoas tenham que prestar sem embargo estrita fidelidade e obediência aos futuros bispos, arcebispos, patriarcas, primazes, cardeais ou ao Romano Pontífice, canonicamente eleito. E ademais para maior confusão desses mesmos assim promovidos e assumidos, se pretenderem prolongar seu governo e administração, contra os mesmos assim promovidos e assumidos (seja-lhes lícito) requerer o auxilio do braço secular, e não por isso os que se subtraem desse modo à fidelidade e obediência para com os promovidos e titulares, já ditos, estarão submetidos ao rigor de algum castigo ou censura, como se o exigissem pelo contrário os que cortam a túnica do Senhor.

8. Validez dos documentos antigos e derrogação somente dos contrários.

Não tem nenhum efeito para estas disposições as Constituições e Ordenanças Apostólicas, assim como os privilégios e letras apostólicas, dirigidas a bispos, arcebispos, patriarcas, primazes e cardeais, nem qualquer outra resolução, de qualquer teor ou forma, e com qualquer cláusula, nem os decretos, também os de motu próprio e de ciência certa do Romano Pontífice, ou concedidos em razão da plenitude apostólica, ou promulgados em consistórios, ou de qualquer outra maneira; nem tão pouco os aprovados em reiteradas ocasiões, ou renovados e incluídos no corpo do direito, ou como capítulos de conclave, ou confirmados por juramento, ou por confirmação apostólica, ou por qualquer outro modo de confirmação, inclusive os jurados por Nós mesmos. Considerando, pois essas resoluções de modo expresso e tendo-as como inseridas, palavra por palavra, inclusive aquelas que haveriam de perdurar por outras disposições, e enfim todas as demais que se oponham, por sua vez e de um modo absolutamente especial, derrogamos expressamente suas cláusulas dispositivas.

9. Decreto de publicação solene

A fim de que cheguem noticias certas das presentes letras a quem interessa, queremos que elas, ou uma cópia (referendada por um notário público, com o selo de alguma pessoa dotada de dignidade eclesiástica) sejam publicadas e fixadas na Basílica do Príncipe dos Apóstolos, e nas portas da Chancelaria apostólica, e no extremo da Praça de Flora por algum de nossos oficiais; e que é suficiente a ordem de fixar nesses lugares a cópia mencionada, e que a dita fixação ou publicação, ou a ordem de exibir a cópia sobredita, deve ser tida com caráter solene e legitimo, e que não se requer nem se deve esperar outra publicação.

10. Ilicitude das ações contrárias e sanção divina.

Portanto, a homem algum seja lícito infringir esta página de Nossa Aprovação, Inovação, Sanção, Estatuto, Derrogação, Vontade, Decreto, ou por temerária ousadia contradizer-lhes. Porém se alguém pretender atentar, saiba que haverá de incorrer na indignação do Deus Onipotente e de seus Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Roma, junto a São Pedro, aos 15 de fevereiro do ano da Encarnação do Senhor de 1559, 4º ano de nosso Pontificado.

Paulo IV.

O falso papa da falsa igreja do Vaticano II

O falso papa da falsa igreja do Vaticano II

H. Johas

O Romano Pontífice

e

O Magistério Vivo do Erro

…

Cœtus fidelium


“Ne revereais proximum tuum in casu suo;

ne retineas verbum in tempore salutis”

– Eccl. 4,27 –

…

“Occidat unusquisque fratrem et amicum

et proximum suum”

– Exodus, 32,27 –

Coetus Fidelium

Av. Pe. Leonel franca n. 90;401

GÁVEA-RIO DE JANEIRO

cep 22451-000

Palavras do Senhor

x

“Ai de vós que chamais ao bem de mal e

ao mal de bem, colocando as trevas como

sendo a luz e a luz como sendo as trevas”.

– Isaías, 5,20 –

x

“Não leveis o mesmo jugo como os infiéis.

Saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor”.

– 2 Cor 6,14-18 –

x

“Maldito o homem que põe a sua confiança no homem”

– Jeremias, 17,5 –


Disposição das Matérias

Prólogo

Parte primeira: Doutrinas Heréticas em Campos

I O princípio imoral e despótico.

II – O novo caminho: o Relativismo Dogmático.

III – A infidelidade atual ao Magistério universal da Igreja.

IV A oposição entre o atual e a fé universal.

V Lúcifer finge-se de católico.

VI Cegueira para os que se afastaram da verdadeira luz. Pessoas humanas absolutas enquanto humanas.

VII – A obediência aos lobos travestidos de pastores.

VIII– O Atualismo ético: fora da Fé.

IX A rejeição do Magistério comum a clérigos e leigos.

Parte segunda: Doutrinas Heréticas em Roma

I A interpretação da heresia à luz da Tradição.

II A liberdade religiosa para os erros.

III – A união do culto de Cristo com o dos ídolos.

IV A sede de Pedro substituída por colegiado de

representantes do povo.

Conclusão

O Romano Pontífice e o Magistério Vivo do Erro

Prólogo

O dever de caridade fraterna nos leva a analisar uma “orientação pastoral” do “guia vivo atual” da “administração apostólica São João Maria Vianney”, de Campos. A sua causa final, escreve ela, é a de “curar feridas doutrinárias” dos ali “ligados à Liturgia Tradicional” e, por aí, “prestar serviço” à hierarquia da “nova igreja” ecumênica, condenada por Pio XI na encíclica “Mortalium animos”. Essa pastoral atual quer um tradicionalismo ligado à “Liturgia Tradicional”, mas desligado do Magistério universal tradicional, recebido do passado, sobre as outras partes do credo e, nestas, ligado a um Atualismo ético e dogmático, com “interpretações diferentes” dos “princípios perenes”, “conforme as circunstâncias concretas”. Quer desligar os fiéis do Magistério universal da Igreja e ligá-lo à obediência ao Magistério atual, cegamente, sem julgar os erros e heresias atuais provenientes de Roma, como se fossem iguais o Magistério da Verdade e o Magistério dos erros dos mortos pela heresia. Como se a infalibilidade da Sede de Pedro fosse a infabilidade da pessoa privada que, livremente, adere ou não à fé universal.

São Paulo advertiu a todos: “Não leveis o mesmo jugo com os infiéis (…), saí do meio deles e separai-vos” (2 Cor 6,14-18). O guia vivo de Campos não quer separar-se do Magistério do erro; quer união com ele. Amice, tu quoque? Qual foi o Apóstolo de Cristo que “prestou serviço” para a Sinagoga de Caifás?

Parte Primeira: Doutrinas Heréticas em Campos

I – O princípio imoral e despótico

1. A “pastoral” expõe o panorama da sua “nova igreja ecumênica”: está dividida em duas partes e as duas estão em erro; ambas seguem, igualmente, a Lutero: a parte progressista, segundo essa pastoral, só erraria na Liturgia. Não olha os erros da liberdade religiosa, Ecumenismo, colegialidade… A parte ligada à “Liturgia tradicional” também teria ela o livre-exame de Lutero porque: “Não faz caso do Magistério vivo atual, não o lê, e, absurdamente, chega até a julgá-lo.” Isso segundo a “pastoral” é “ferida doutrinária” que deve ser curada. Os que julgaram o “Magistério vivo” de Roma na Liturgia, não querem julgar esse mesmo Magistério vivo no seu falso “direito de não seguir a Verdade”, na sua “igualdade jurídica” das religiões, no seu conceito “ecumênico” de Igreja e no seu poder supremo colegiado, de representantes do povo. Para uma parte do credo podem fazer “livre-exame” luterano; não para a outra. Isso é católico? Morto pela heresia não é vivo.

2. Bonifácio VIII traz a palavra de São Paulo: “Spiritualis homo judicat omnia; ipse autem a nemini judicatur” (1 Cor 2,15; D.S. 873). Donde é a Igreja Católica tradicional que julga a “nova igreja atual” e não a “nova igreja atual” que julga a tradicional. O Juiz supremo verdadeiro não é julgado por ninguém; mas todos os fiéis têm o direito e o dever de julgar se alguém é ou não é Juiz supremo, pelos critérios da “fé universal, comum a todos” (D.S. 639). Isaías clamou contra essa inversão desejada pelo “guia atual” de Campos: “Ai de vós que chamais ao mal de bem e ao bem de mal; colocando as trevas como sendo a luz e a luz como sendo as trevas” (Is. 5,20). E Jeremias também vociferou: “Maldito o homem que confia no homem” (Jer. 17,5), isto é, que substitui o culto do único Deus verdadeiro – Jesus Cristo – pelo “culto do homem”, antropolatria proclamada pelo Sr. Montini, em 07.12.1965, no Vaticano. Ela pervade a “Liturgia”; mas não só a Liturgia, mas toda a “nova igreja” que não deveria existir senão para o culto do único verdadeiro Deus.

3. O Magistério universal da Igreja também clama contra essa inversão, contra essa negação do direito de um fiel de julgar se alguém é infiel ou é um verdadeiro papa fiel. A Igreja Católica, ensinou Pio IX, é “semper stabilis et immota” e as seitas que dela se separaram na Fé “não são a Igreja Católica una” que tem unidade de Fé (Jam vos omnes). Donde uma “nova igreja”, com “doutrinas novas”, opostas ao Magistério universal, ainda que ela se rotule como “católica” para enganar, não é a verdadeira Igreja Católica; é outra, é a ecumênica, “falsa”.

4. Inocêncio III ensinou para os fiéis o direito de julgar a um papa infiel: “Tendo eu só a Deus por juiz nos outros pecados, só no pecado que eu cometesse contra a Fé, poderia eu ser julgado pela Igreja”. E refere a causa, o juízo divino: “porque quem não crê já está julgado” (Jo. 3,18). Neste caso poderia ser afirmado sobre este papa: “Se o sal perder a sua força, ele não serve para nada, senão para ser lançado fora e conculcado aos pés pelos homens” (P.L. 27,656s; IV Sermão sobre o Romano Pontífice).

5. Donde o Direito divino e o Magistério da Igreja autorizam e facultam a um fiel a julgar se alguém que se diz papa – tenha ele quantos seguidores tiver – é ou não verdadeiramente papa que deve ser obedecido como tal e se é o Juiz Supremo dos fiéis. Uma coisa é o ser ou o não ser papa; e outra coisa é – sendo verdadeiramente papa, não pelas palavras de outros; mas pela confissão da fé universal por parte dele mesmo – dever ser obedecido e acatado como verdadeiro Pastor supremo e verdadeiro Juiz Supremo, infalível, nas questões de Fé e de Moral. E o “criterium veritatis” para isso é a unidade visível de Fé dessa pessoa com as Escrituras, a Tradição e o Magistério Universal dos papas e Concílios, de toda a Igreja universal de todos os tempos. É o Magistério “recebido” do passado, sem mudança de sentido, professado pelos Santos Padres, papas e Concílios ortodoxos, pela totalidade dos Santos e aceito, em todos os tempos, pela maioria dos Doutores. O herético, “separado” dele, não é o juiz do fiel; é o inverso: o fiel é que é o juiz do herético e até dos anjos infiéis.

6. Donde a “pastoral” do “guia vivo” de Campos incide ela no “absurdo”: não quer que o “guia vivo” e “atual” de Roma, nem que ele, sejam julgados nas suas “doutrinas novas” e “atuais” do Ecumenismo, liberdade religiosa, Agnosticismo, Fideísmo, Relativismo, Colegialidade democrática, Missa e Sacramentos ministrados “pelo povo”. A “pastoral” do “Magistério do erro” atual não quer ser julgado pelo critério da “fé universal, comum a todos, clérigos e leigos” (D.S. 639). Se os fiéis a este Magistério universal “não fazem caso” do Magistério vivo, atual e o “julgam”, é absurdo pretender que ele seja aceito sem julgamento da sua identidade ou contradição com o Magistério universal, transcendente às cabeças de clérigos e de leigos, de papas e de bispos; transcendente aos tempos passados, presentes e futuros. Quer-se aí a cegueira da submissão a homens, sem olhar se eles são fiéis ou infiéis a Cristo-Deus. Quer-se o “princípio imoral e despótico” (D.S. 3115) pelo qual se retira a responsabilidade própria de cada um perante autoridades humanas subversivas, rebeladas e infiéis em relação à autoridade divina de Jesus Cristo (D.S. 3115). Pretende-se aí a cegueira da obediência aos filhos das trevas, como se eles fossem os filhos da luz, ortodoxos, verdadeiros e impecáveis contra a fé universal. Inocêncio III, Adriano II, Paulo IV, Santo Agatão, São Leão II e outros papas ensinam que, até o Vigário de Cristo, não é impecável contra a Fé; que é lícito afastar-se das “doutrinas perniciosas” de algum incidente em heresia e que, apesar disso, se diz papa, Vigário de Cristo, mentindo. Lúcifer agora se apresenta como Vigário de Cristo, como “católico”. Magistério de morto pela heresia pública não é magistério de vivo pela graça.


II – O novo caminho: o Relativismo dogmático

1. A nova “pastoral” de Campos se opõe ao Magistério universal da Igreja sob o pretexto de ser ele do passado: “Escritos do passado podem causar dúvidas, causar interpretações diferentes, levar a divisões, a perigo, a caminho errado, à perdição. É necessário o guia vivo, atual, para indicar o caminho melhor. Ele resolve as dúvidas, leva ao caminho certo, à salvação, é garantia de segurança. Os fiéis não conhecem as circunstâncias; o guia atual as conhece. As circunstâncias diferentes podem exigir interpretações diferentes daquilo que está escrito. Donde o guia vivo atual tem preferência sobre os escritos do Magistério do passado, morto, póstumo.”

2. Ora, o “guia vivo” de Campos passa de diferenças doutrinárias entre pessoas vivas atuais, para o “criterium veritatis” do Magistério “escrito”, “recebido” do passado. Elimina a submissão do “papa vivo” atual ao Magistério universal, transcendente aos tempos e às pessoas. Relativiza a fé universal, comum a todos, “às circunstâncias diferentes” que “exigiriam interpretações diferentes” do Magistério universal “escrito”. Como se um papa atual pudesse dar “outro sentido” no presente, ao sentido “que deve ser perpetuamente mantido” (D.S. 3020), segundo o progresso dos tempos; “diferente” daquele que no passado “entendeu” a Igreja e que no presente ela “entende” (D.S. 3043). Os caminhos da Igreja e da Fé não mudaram; são idênticos em todos os tempos; foram trilhados por 260 papas, 20 concílios, milhões de Santos e Mártires, todos “coerentes entre si” na “unidade de fé”, “fundamento firme e único” da Igreja (D.S. 1500). Nele não existem “placas duvidosas”, “perigosas”, que “levam ao caminho errado e à perdição”. Tal é a fala dos heréticos, não a dos fiéis. E ele começa aí a substituir a Dogmática pela Ética, para depois mudar a própria Dogmática a pretexto de “circunstâncias diferentes”. Substitui aí a “norma credendi”, imutável, pela “norma agendi” onde cada um pode ter exercício livre das normas. Segue-se assim o Agnosticismo de Kant na Razão Teórica, colocando-se uma Razão Prática, onde os deveres não vêem da autoridade de um Deus verdadeiro, mas do homem agnóstico, livre, insubmisso às doutrinas e mandamentos “coativos” do Deus verdadeiro.

3. Tal Agnosticismo universal, oculto nessa argumentação, gera depois “verdades” individuais, não universais, não transcendentes aos tempos, porém variáveis “com as circunstâncias” concretas. O Modernismo de Loisy, fundado no Agnosticismo, quis afastar os dogmas de Fé imutáveis e colocar em seu lugar essas “normas práticas” do agir (D.S. 3402). O Vaticano II tentou, por tal fraude, ocultar o seu Agnosticismo. E Mons. Lefèbvre e Dom Mayer também fizeram isso. Veja-se nosso livro “O Concílio da Apostasia” (p. 133s e p. 146s). E o Sr. Padre Rifan também fez isso: repeliu o “espírito geométrico” das verdades absolutas da Lógica racional e da Dogmática, absoluta pela autoridade divina do Deus que se revelou. Nessa praça comum do Agnosticismo se encontram os clérigos e os ateus do Vaticano II, os heréticos Lutero, Lamennais e Loisy e os ateus e agnósticos da Revolução de 1789, defendida por Maritain. E agora o Sr. Pe. Rifan, caudatário do Sr. Ratzinger nessa infidelidade gravíssima. Por acaso tais desviados da Fé não leram nos Evangelhos a Cristo apelando, freqüentemente, para o que “estava escrito” na Lei e nos Profetas? No passado?

4. Desse modo sorrateiro o “guia vivo e atual” de Campos quer o Relativismo dogmático “segundo as circunstâncias concretas”, conforme escreveu Dom Mayer (La Nouvelle Messe, p. 280), segundo uma “casuística”, “causando na prática grandes dissensões” (p. 281). A verdade universal seria compossível com as “dissensões” contraditórias entre si. Não se exclui a falsidade apesar das contradições.

São Nicolau I ensinou: a Fé “universalis est, omnium communis est, non solum ad cléricos, verum etiam ad laicos et ad omnes omnino pertinet Christianos” (D.S. 639). O Vaticano I ensina o “Magistério universal” da Igreja (D.S. 3011). Donde ele transcende ao passado, ao presente e ao futuro e transcende às cabeças dos papas e fiéis do passado, presente e futuro. Donde o Relativismo do Vaticano II, de Dom Mayer, Mons. Lefèbvre e do Pe. Rifan vem do Agnosticismo de Kant e de Loisy que professa, com o Sr. Ratzinger: “A verdade não é imutável mais do que o homem; ela evolui com ele, nele e por ele” (D.S. 3458). Eis a raiz comum de todas essas heresias, as piores já aparecidas na face da Terra.

5. Pio XII condenou tal doutrina da “nova Teologia”, do desviado de Lubac, o Historicismo, na “Humani generis”. Nós somos, como o diz São Paulo, “cidadãos dos céus” e os caminhos do céu, são os mesmos ontem, hoje e sempre. Não são objeto de “dúvidas” para os fiéis, mas só para os heréticos (Cânon 1325,2). Pio VI condenou como “falsa, escandalosa, perniciosa, ofensiva aos ouvidos piedosos, injuriosa para a Igreja e para o Espírito de Deus que rege a Igreja, afirmar que os seus caminhos “são perigosos, nocivos, inducentes ao erro e à perdição eterna” (D.S. 2678). São os já divididos da Igreja, os já separados da Igreja, os que ensinam assim a doutrina da Igreja como causadora de divisões e dúvidas. Os separados acusam à própria Igreja como causa das separações, para afirmarem depois a sua “igreja ecumênica”, dividida em partes, com credos próprios de cada um, separados entre si. São Paulo anatematiza tal doutrina que faculta ensinar “além do recebido” (Gal. 1,8-9). O Vaticano I também anatematiza tal doutrina do “guia vivo” de Campos (D.S. 3020-3043). Quem quiser segui-lo está sob tal anátema divino.

6. Não é lícito mudar a Fé em qualquer circunstância. Os Mártires deram a vida para não compactuarem com isso. Não se “aplicam” dogmas às circunstâncias que “exigem interpretações diferentes”. A própria Ética, além da Dogmática e procedente da Dogmática, tem leis universais “independentes de qualquer circunstância”. Os conceitos universais contêm, intencionalmente, todas as circunstâncias concretas previstas pelo Legislador divino. Só onde não existem tais normas de ação, absolutamente obrigatórias, “independentes das circunstâncias”, só aí se examinam as circunstâncias para decidir qual a norma universal que deve aí reger a ação. A “prudência própria” (Prov. 3,5) é oposta à prudência das leis divinas pelas quais as autoridades humanas são regidas superiormente enquanto regem aos seus inferiores. É condenada por Deus.

7. A educação cristã, ensina Pio XII, está longe de afastar a responsabilidade e o juízo próprio de cada um. Quando o educando já aprendeu o Magistério universal, a educação cristã torna, pouco a pouco, até desnecessário o educador. Ela torna o educando próximo do “homem perfeito, segundo a medida da plenitude de Cristo” (Ef. 4,12; 4,14). Donde o cristão já educado pelo Magistério, tem a sua responsabilidade pessoal para fazer valer a verdade universal e a lei de Cristo na sua vida (Alocução de 18.04.1952). Donde se ele vê o seu Superior, até mesmo um papa, desviado da Fé e incidente em heresia, Deus o ensinou: “Não reverencies o próximo na sua queda” (Eccl. 4,27); “argúe-o publicamente” (Lev. 19,17). Nem que fosse de um anjo do céu, São Paulo admite outro sentido diferente, a mais ou a menos, na doutrina de Direito divino (Gal. 1,8-9). Donde o Ecumenismo, a liberdade religiosa, a Colegialidade do poder supremo, os Sacramentos e a Missa como “ação da comunidade celebrante”, tudo isso é vedado pelo Direito divino (Ap. 22,19). Isso já foi interpretado de modo fixo e estável no passado e é “imune a toda arbitrária disposição humana” (D.S. 3114). Obedece-se antes a Deus do que ao homem subvertido contra Deus (Tit. 3,10-11).

8. Adriano II, perante o delito de heresia de Honório I, ensinou que tal delito: “torna legítima a resistência dos inferiores aos Superiores e a rejeição das suas perniciosas doutrinas” (Hefèle-Leclercq 5,741). O Concílio de Éfeso ensinou que o antes Superior, incidente em heresia, “estará subordinado” (subjacebit), ao antes inferior ortodoxo. Inocêncio III dá a causa: “qui non credit jam judicatus est” (Jo 3,18). O “guia vivo” de Campos não pode afastar-se dessa norma divina. Não se obedece ao homem rebelado contra Deus. Não se oculta a subversão a pretexto de “melhor caminho”. Não se oculta a “nova igreja” a pretexto de que a Igreja verdadeira não “falhou”, quando quem erra é a “nova igreja” e não a Igreja tradicional.

9. São Vicente de Lerins indica o caminho católico para época de “heresia generalizada”. É o oposto ao do “guia atual”: “aderir à antiguidade”. “Ela não pode ser vítima dos enganos da novidade”. O “caminho novo”, e não o “caminho antigo”, é o do “perigo supremo para a salvação”. É a “doutrina nova” e não a “verdade antiga”. “Nunca foi, é ou será lícito pregar além do recebido da antiguidade” (Gal. 1,8-9). “O católico fiel permanece sempre fixo e estável na Fé; só recebe o que a Igreja recebeu na antiguidade”. Eis o oposto da “pastoral” do guia vivo atual de Campos. “O que sempre, em todas as partes e por todos foi crido, isso é o que é católico”. A norma católica é: “Seguir a universalidade”, o que sempre e por todos foi confessado. “Seguir a antiguidade”, o que os Santos Padres e Concílios confessaram. “Seguir, na mesma antiguidade, o consenso” de todos ou quase todos os mestres e sacerdotes. Eis o oposto do seguir a “atualidade” das “pessoas vivas” que pregam Ecumenismo, Liberdade religiosa, Colegialidade, Missa do povo. Essa voz atual é a voz de Lúcifer.

10. O Magistério escrito do passado não é “duvidoso” e “não claro”. São claras as constituições dogmáticas do Vaticano I e as encíclicas: Quanta cura, Quas primas, Mortalium animos, Mediator Dei… O pretexto de “maior clareza” do “Magistério atual vivo” supõe falsamente um “obscurecimento geral” do Magistério universal do passado, o que é herético (D.S. 2601). A heresia inverte quem está com a luz e quem está com as trevas. Pretende que a luz do passado sejam as trevas e que as trevas do presente sejam a luz (Is. 5,20).

11. Foi um certo Padre Fernando Areas Rifan que, no passado, citou Dom Gueranger: “Quando o pastor se transforma em lobo, compete às ovelhas o defenderem-se”. E: “A verdade, por ser reflexo de Deus, é imutável, não tem idade ou época. O que era verdade nos tempos de Cristo, é hoje e o será sempre”. Mas, ele mesmo, mudou de “igreja”: da Católica para a ecumênica; do Magistério universal para o atual; opôs o Magistério de pessoas mortas ao Magistério de pessoas vivas da “nova igreja”, oposta à Católica. O Vaticano I veda “doutrina nova” (D.S. 3070) e “interpretação diferente” do que “entendeu” no passado e “entende” no presente, a Igreja (D.S. 3043).

12. Ensinou o papa São Celestino I: “Não temos por católico o que for contra o já fixado” (D.B. 142). São Nicolau I ensinou: A Sede de Pedro: “Não é julgada por ninguém” (D.B. 330). Leão X ensinou: “A verdade não contradiz a verdade” (D.S. 1441). O Vaticano I ensinou sobre o juízo da Sede de Pedro: “a nemine fore retractandum” (D.S. 3063). Pio XII condenou o Historicismo, a mudança dos dogmas segundo os tempos, “as circunstâncias” (D.B. 2310). Logo é essa viperina seita dos “novos católicos”, que faz “livre-exame” luterano e que quer ocultar sua “doutrina nova” e “novo caminho” a pretexto de novas “circunstâncias”. “Anathema sit” diz São Paulo (Gal. 1,8-9).

13. Donde o lobo se disfarçou como se fosse pastor. Os “vigários do povo” e não de Cristo, não são: “Ecclesiae ministros, sed fures et latrones, non per ostium ingressos” (Jo 10,1) (D.S. 1769). Esta é a Voz do Magistério universal da Igreja e não a dos lobos da “nova igreja” fundada em 1965, nos “desejos” dos homens da “nossa idade”, do “novo tempo”.

III – A infidelidade atual ao Magistério Universal da Igreja

1. Diz o guia vivo atual da nova pastoral de Campos: “O Magistério da Igreja é norma próxima e universal de interpretação das Escrituras e da Tradição. Mas Cristo instituiu guias vivos, pessoas vivas que as interpretam e estas não são as pessoas particulares. O Vaticano II (Dei Verbum), para essa interpretação, ensina a exclusividade do papa e dos bispos em comunhão com ele. Tais pessoas vivas interpretam os princípios perenes e os aplicam às circunstâncias diversas que aparecem. Lutero quis a interpretação privada, o livre exame. Tradicionalistas também fazem isso. É “novo Cristianismo” ignorar esse Magistérios vivo, atual.”

2. Prossegue aí a inversão e substituição da Igreja Católica pela ecumênica. Se o Magistério da Igreja é “norma universal” da verdade, não é “norma própria” (4.3), de cada um, com “sua fé” (4.5) como prega o Vaticano II. Donde o “papa vivo atual” se separou da norma do Magistério universal da Igreja Católica, ao qual, por ser de Direito divino, todos os papas estão subordinados (D.S. 3011). Um papa – embora não deva – contudo ele pode ter “juízo próprio livre” (Tit. 3,10-11), ser herético, “separando-se da Igreja pela natureza do seu delito” (D.S. 3803). Pode fazer ele “livre exame” luterano. Isso é doutrina do Magistério universal e infalível da Igreja: sobre heresia; sobre heresia num papa e sobre o caso concreto de Honório.

3. Sobre a heresia ensina Pio XII: “ela, por sua natureza, separa da Igreja” (D.S. 3803). O V Concílio ensina: por ela: o delinqüente “re ipsa anathema sibi infert”. Por ela todo herético deixa vacante o seu cargo “ipso facto”, “sine ulla declaratione” ensina Paulo IV (Cum ex apostolatus). Leão XIII ensina: “É absurdo que presida na Igreja quem está fora da Igreja” (Satis cognitum). O Direito Canônico reitera isso (Cânon 188,4). Donde ser herético é não ser papa.

4. Que isso se aplica ao papa, apesar da Oração de Cristo por Pedro (Lc. 22,32), também é explícito no Magistério:

1 São Símaco, com o Sínodo Romano, ensina a obediência ao papa: “nisi a recta fide exorbitaverit” (Harduinus, 2,984).

2 Inocêncio III diz o mesmo: “A não ser no pecado que cometesse contra a Fé” (IV Sermão de Consecratione Pontificis).

3 Paulo IV diz o mesmo: “Se for desviado da fé” (Cum ex apostolatus).

4 O Cânon “Si papa” diz o mesmo: “nisi deprehendatur a fide devius” (Graciano, Decretum).

Donde a doutrina genérica sobre a heresia é extensiva ao papa pelo Magistério universal da Igreja.

5. Tal doutrina foi aplicada, de modo certo, pelo Magistério universal da Igreja, ao caso concreto singular do papa Honório I:

5 Consta da Profissão de Fé papal (Fides papae) do Líber Diurnus Romanorum Pontificum, nº 84.

6 São Leão II condenou Honório como herético (D.S. 563).

7 Adriano I também, no VII Concílio.

8 Adriano II também, no VIII Concílio (J. Alberigo, Conc. Oecum. Decreta).

6. Logo o Magistério universal infalível da Igreja ensina, pelo Vaticano I, quer a infalibilidade papal, como pessoa pública, no exercício do poder da Sede de Pedro, pela oração de Cristo por Pedro (Lc. 22,32), quer a pecabilidade da pessoa privada do papa contra a Fé universal, separando-se da Igreja e do cargo papal.

Desse modo o VIII Concílio ensina a infalibilidade da Igreja, da Sede de Pedro e condena a Honório como herético. E o Vaticano I coloca esse VIII Concílio como fonte da doutrina da infalibilidade papal, que coincide com a que “Cristo quis dar à sua Igreja”, como Magistério infalível universal, transcendente aos tempos e às cabeças das pessoas singulares, enquanto tais. (D.S. 3066). A Igreja universal não é uma pessoa humana individual, falível.

7. Esse duplo aspecto da infalibilidade – pessoal e universal – pertence à Tradição da Igreja:

9 Santo Agatão ensina a infalibilidade da Igreja, da Sede de Pedro e fala do pecado possível de um papa contra a Fé universal (Consideranti mihi).

10 Adriano II – fala do não julgamento de um papa enquanto papa; e do anátema sofrido por Honório I por heresia, pecado que legitima a resistência dos inferiores ao Superior (Carta ao VIII Concílio).

11 Paulo IV – Ensina que o papa não deve ser julgado por ninguém; mas que, se for desviado da fé, pode ser redargüido. (Bula Cum ex apostolatus).

12 Inocêncio III: ”O papa não é julgável por ninguém; mas no pecado contra a Fé, pode ser julgado pelos homens” (IV Sermão sobre o Romano Pontífice).

13 São Pio V – Reitera a Bula de Paulo IV (Inter multíplices).

Donde harmonizam-se as doutrinas da infalibilidade pessoal do papa enquanto pessoa pública válida, no exercício do poder divino do cargo papal e a falibilidade pessoal do papa, enquanto pessoa privada, igual às outras, que, pelo “juízo próprio” e livre arbítrio, pode separar-se da fé universal da Sede de Pedro.

8. Isso foi exposto no Concílio Vaticano I pelo bispo Relator da Fé, Mons. Vicente Gasser: “Hinc non loquimur de infalibilitate personali – quamvis personae Romani Pontificis eam vindicemos – sed non quatenus est persona singularis, sed quatenus est persona Romani Pontificis, seu persona pública” (Mansi, 53, col. 1213, A).

Donde o Romano Pontífice não tem assistência divina para ensinar “doutrina nova” (D.S. 3070); mas, enquanto pessoa privada pode ensiná-la e ser herético. Donde não é ele um “poder absoluto”, mas está “subordinado” ao Magistério universal precedente (D.S. 3114-3116). Logo se obedece ao papa que é formalmente papa e a ele não se julga; mas pode-se e deve-se julgar se alguém é ou não é formalmente papa pela sua subordinação ao Magistério universal já fixado ou por seu desvio da Fé e sua contradição a este Magistério universal infalível, assistido por Deus sempre. Donde a Igreja não ensina a infalibilidade papal “extensiva” aos atos da pessoa privada do papa; porém ensina a infalibilidade papal que se “restringe” à propriedade do Magistério supremo, “ligado” ao Magistério universal (D.S. 3116), no qual ele coincide com a infalibilidade “ipsius Ecclesiae”, conforme consta da definição do Vaticano I (D.S. 3074).

9. Donde o “guia vivo” de Campos quer, infielmente, estender a infalibilidade restrita à pessoa pública fiel para atribuí-la à pessoa privada infiel. E o Vaticano II quer estender o carisma da infalibilidade, dado por Deus “uni Simoni Petro” (D.S. 3054) para o colégio dos bispos “em comunhão com o papa”, sem olhar o papa “a fide devius” como pessoa privada e sem falar na “subordinação” de todos os bispos, isoladamente ou em conjunto, ao poder supremo monárquico e não colegiado. Todos os bispos em comunhão com Honório estavam com ele na heresia e não unidos à infalibilidade da Igreja. Esta infalibilidade ali estava com São Sofrônio e com os bispos opostos a Honório. Donde é falsa tal doutrina do Vaticano II e a do seu seguidor “atual” de Campos. O colégio dos bispos não é um corpo moral, diverso da pessoa individual de um papa ligado ou não ao Magistério universal no qual existe “também” o privilégio do poder Supremo e da infalibilidade, sem subordinação à pessoa pública dos papas fiéis ao Magistério universal “comum a todos clérigos e leigos” (D.S. 636). Não temos dupla cabeça suprema na Igreja, do mesmo nível: monárquica e colegiada. Tal doutrina é herética ensinou Inocêncio X (D.S. 1999). Nem o papa é mera parte integrante do poder supremo colegiado, ensinou Leão XIII (D.S. 3307-3309). Quem está “sob” o papa não é “igual” a ele.

10. Donde os que querem ser “fiéis à Tradição”, à Igreja Católica e não heréticos, têm o direito e o dever de vigiar, “por responsabilidade própria” (D.S. 3115) que não é retirada deles perante qualquer um que se diga “papa válido”, mas estando visivelmente separado da Tradição e do Magistério universal da verdadeira fé (D.S. 3803). Validar a jurisdição de um herético é incidir no anátema da Igreja, proferido por São Martinho, válido para o passado e o futuro (D.S. 520). Esse é o Magistério de São Símaco, São Celestino I, Adriano II, Inocêncio III, Paulo IV, Leão XIII, Pio XII… Isso, entretanto fizeram Mons. Lefèbvre, Dom Mayer e o atual “guia vivo” ligado ao Vaticano II. Isso coopera com a heresia livre, com a seita dos “novos católicos”. É isso o “livre exame” de Lutero traduzido pelo “juízo próprio livre” do Vaticano II e desses desviados da Fé.

11. Ninguém aplica a Dogmática “às circunstâncias” variáveis, conforme o quiseram Loisy, o Vaticano II, Mons. Lefèbvre, Dom Mayer e seus seguidores. A Dogmática não está subordinada à Ética. E nem se eliminam da Ética os mandamentos universais para se afirmar o “direito de não seguir a Verdade” (2.9). Pio XII condenou o Atualismo Ético, como “fora da fé” (Aloc. de 18.04.1952). O Vaticano II afirma o “direito de não seguir a Verdade” (2.9); logo elimina todos os “princípios perenes” verdadeiros, da razão e da Fé. Logo não mantém nenhum “princípio perene”, pois elimina até os princípios de identidade e de não contradição, os mais fundamentais. Ele perverte, pelo Agnosticismo, o próprio conceito de “verdade”: de universal para individual; de necessária para livre. Não sobra nada.

12. Por aí o Sr. Ratzinger, fingindo-se de “teólogo”, colocou-se fora da “fé universal, comum a todos” (Pio XII – Aloc. De 18.04.1952). Tal doutrina nega o conhecimento de um só Deus verdadeiro; ou prescinde d’Ele. É atéia. Não basta uma intenção interior qualquer; Deus quer também a confissão externa da Fé para a salvação: “ore confessio” (Rom. 10,10). Quer também as obras exteriores. E, em quaisquer circunstâncias, não é lícito negar a fé exteriormente ou pervertê-la. Pio XII ensina que os Mártires provaram isso (Ci riesce). A gravidade suprema desse pecado de perversão da Fé se evidencia no caso da adoração do bezerro de ouro pelos judeus. O preceito divino aí dado a Moisés foi: “Cada um mate o seu irmão, o seu amigo, o seu próximo” (Ex. 32,27).

“E, nesse dia, quase 23.000 idólatras foram mortos”. Eis a suprema gravidade da pregação da “liberdade religiosa” pelo Vaticano II, pelo Sr. Ratzinger e agora pelo seu associado Pe. Rifan e pelos que têm “união” com tais pessoas e não com a verdade universal que está acima delas.

13. Examinam-se as circunstâncias onde não existem leis necessárias do crer ou do agir, independente das circunstâncias. A verdade é universalmente obrigatória em todas as circunstâncias. Os “princípios perenes” verdadeiros não são os falsos e livres. Do contrário as verdades de Deus seriam dependentes do arbítrio dos homens, do “juízo próprio” do herético (Tit. 3,10-11) pregado pelo Vaticano II. Tal “guia atual” destrói a verdade “universal”, transcendente aos tempos e às cabeças individuais. “Assim morre a Fé”, escreveu Pio XII.

IV – A oposição entre o atual e a fé universal

1. Diz a “pastoral” do Sr. Pe. Rifan: “O Magistério vivo, atual, de pessoa viva, exercido por seus atos vitais, opõe-se ao Magistério morto, escrito, póstumo, escrito no passado por pessoas mortas. Os Protestantes só admitem a este Magistério morto, das Escrituras, dos Apóstolos”.

2. Ora, não é porque os Protestantes repelem a Tradição e o Magistério universal da Igreja, que os fiéis da Igreja Católica vão repelir as Sagradas Escrituras como Magistério morto, póstumo, passado e como não permanente perpetuamente em todos os tempos. Desse modo, o “guia vivo” de Campos repele a Jesus Cristo, morto no passado e que, freqüentemente, referia-se ao que “estava escrito” no Antigo Testamento. Desse modo, retiram-se, fraudulentamente, todas as Escrituras, todos os Evangelhos, todos os Concílios e o Magistério universal dos papas, toda a “Tradição recebida” do passado. Desse modo o Sr. Ratzinger, mostrando-se como não católico, fez “Declaração conjunta” com os luteranos afastando as doutrinas e anátemas do Concílio de Trento, como “advertências salutares” para a época, que devem ser condenadas por “entendimento melhor” no presente. Veio desse herético do Vaticano II a doutrina agora repetida pelo seu discípulo de Campos. Veio do discurso do lobo maior de Roma, feito para a Cúria da “nova igreja” em 22.12.2005. “Sustenta que persistem os princípios fundamentais; mas que a aplicação pode variar, de época em época, segundo as circunstâncias históricas”. Qual é o princípio permanente, quando se afirma toda verdade como individual, “livre”, de “cada um para si” (3.3) e o “direito de não seguir a verdade” (2.9), mas “a sentença do próprio espírito” (3.10)? Ele blasfema contra os Mártires: em vez de morrerem pela verdade universal, necessária, teriam morrido “pela liberdade de consciência; pela liberdade de professar a própria fé”, individual e livre. Isso é blasfêmia proclamada no templo de Deus (2 Tess. 2,1-11). São Pedro morreu pelo direito dos pagãos imolarem a Júpiter, sem serem impedidos? São Justino morreu pelo direito dos pagãos imolarem um bezerro sagrado à Mitra? O Sr. Wojtyla afirmou publicamente o direito de receber o sinal de Shiva; de igualar o Corão aos Evangelhos. O Sr. Ratzinger manifestou o direito de rezar, indiferentemente, na mesquita com os que renegam a Cristo; ou nos templos luteranos com os que pervertem o Magistério da Igreja; ou na sinagoga dos que condenaram a Cristo. O Sr. Pe. Rifan construiu um templo e o consagra a Shiva ou a Alá? Anglicano vai pregar agora no templo de Deus. O Cardeal C. Hummes participou de sagração de anglicano. Protestante pregou em Trento. Estão construindo templo ecumênico em Fátima. O que restou do templo do “único Deus verdadeiro?” Vão colocar Buda sobre o altar de Campos?

3. Essa “nova igreja” quer afastar os “escritos” do passado, trocar o “Magistério universal” verdadeiro pelo “Magistério atual” pervertido. Quer afastar o “Catolicismo dogmático” e substitui-lo por um “Protestantismo largo e liberal” (D.S. 3465). “Cum justitiam Dei cognovissent, non intellexerunt quoniam qui talia agunt digni sunt morte et non solum qui ea faciunt sed etiam qui consentiunt facientibus” (Rom 1,32)”. “Quem não crê já está condenado” (Jo 3,18).

Com os Protestantes o Sr. “guia atual” de Campos repele o Magistério universal escrito no passado, mas comum a todos os tempos: passados, presentes e futuros. A diferença de datas da emissão, não é uma diferença de doutrinas universais, contraditando o presente ao passado. Não é um Relativismo da “universalidade” da verdade, afastável pela “atualidade” do presente. A interpretação “atual” não pode ser diversa e diferente da interpretação do “passado”, variável “segundo as circunstâncias”. O permanente não é variável; o contingente não é o necessário; o necessário não é o livre; e o universal não é o particular.

4. Disfarça-se o Relativismo do Dogma, sob a fraude da troca de Dogmática pela Ética, onde o agir individual depende da vontade pessoal para aplicar a norma universal à circunstância atual variável. É falsa a “preferência” do “guia vivo atual” sobre o “Magistério universal necessário” porquanto até o papa vivo atual: “subordinatus sit juri divino et obstrictus sit iis quae Cristo pro Ecclesia sua disposuit”. (D.S. 3114). O papa vivo não é um “monarca absoluto”. Ele e todos os fiéis estão obrigados a manter a mesma Fé universal “in eodem sensu et sententia” (D.S. 3020), sem jamais mudar para “alius sensus” (D.S. 3043). Eles não aplicam “dogmas perenes” às “circunstâncias variáveis”, para daí resultar “interpretação diversa”, “atual”. Até Mons. Lefèbvre, com Dom Mayer – e com eles o Sr. Pe. Rifan – repeliram a lógica absoluta dos princípios e a Dogmática invariável, como coisa “muito dura”, como “espírito geométrico” das verdades absolutas, independentes das circunstâncias variáveis. A Maçonaria, com o Selo de Salomão, imperou nos dois extremos opostos: o do Concílio herético e o do anti-concílio herético. Ambos “fora da Fé”, ambos validando a jurisdição do seguidor de Lúcifer: duas seitas com igual cabeça.

5. Foi o Sr. Ratzinger quem escreveu, em 1982, como agora ainda repete: “A verdade é função do tempo. A fidelidade à verdade de ontem consiste em abandoná-la e em assimilá-la dentro da verdade de hoje”. (Princ. de Theol. p. 16). Não há mais princípio “verdadeiro”, “perene”, senão pelo arbítrio livre de cada um. E é isto que o “guia vivo” de Campos quer pregar, disfarçando-se de “católico”, repelindo o “tradicionalismo” que quer ser fiel à Tradição imutável.

6. A norma católica, para tempos de heresia generalizada, é a oposta à do “guia” de Campos, pervertendo a Fé; é “antiquitatem sequere”. Ela é imune às perversidades dos “guias vivos atuais”. Olhe-se o II Concílio de Constantinopla (V ecumênico), reiterando o Concílio de Éfeso: ele impôs sentença igual, para os hereges de heresia igual, “no passado e no futuro”. A verdade universal era independente das circunstâncias; ela e as penas não variam com os tempos, com as circunstâncias temporais variáveis. Também Paulo IV, na sua Bula “Cum ex apostolatus” afirmou a mesma nulidade do poder de jurisdição dos heréticos, “no passado e no futuro”. Portanto, o Sr. Ratzinger não é papa verdadeiro e válido; é impostor. Pio VI contra os jansenistas, afirmou o “efeito atual”, no presente, das sentenças “ipso facto” emitidas no passado (D.S. 2647). Donde, quem validar o poder de jurisdição papal dos desviados da Fé no presente, dos seguidores do Vaticano II, agnóstico, ele estará “fora da Fé”, “condenado pelo seu próprio juízo” (Tit. 3,10-11), quer pelo Direito divino, quer pelo da Igreja (D.S. 520).

7. Mons. Lefèbvre e Dom Mayer incidiram nesse gravíssimo desvio da Fé, Relativismo agnóstico, validando a jurisdição inválida de pessoas heréticas que se disseram “papas válidos”. Quiseram variar a verdade do “ser” ou do “não ser” papa válido “segundo as circunstâncias”. A obra “La Nouvelle Messe de Paul VI” o mostra (pág. 276-281). O nosso livro: “O Concílio da Apostasia” o mostra (pág. 192; 132; 133; 146…). Isso ou é imperícia e ignorância ou é heresia, contra a Igreja Católica. É o Historicismo de Lubac, Ratzinger, Rahner, Kung, condenado por Pio XII na “Humani generis”,mas que dominou o Vaticano II.

Destruída a Dogmática, não sobra nem a Ética, nem a Igreja Católica, cujo “princípio firme e único” é a unidade da fé, fé universal, no espaço e no tempo, comum a todos, clérigos e leigos, papas e bispos (D.S. 1500). Quem é o Sr. Pe. Rifan para colocar na Igreja outro fundamento além da fé universal, invariável com as circunstâncias? Vade retro!


V – Lúcifer finge-se de católico

1. Diz a “pastoral” do Sr. Pe. Rifan, de Campos: “Jesús instituiu um colégio apostólico e São Pedro é o seu chefe. São guias vivos, perpétuos, até o fim dos tempos. O papa é o chefe da igreja universal e os bispos são os chefes das igrejas particulares. É falso pois que o Espírito Santo possa estar ausente da Igreja ou ser intermitente nela. São Pedro até hoje e sempre, vive, governa e julga nos seus Sucessores. Logo os bispos em união com o papa ensinam a verdade na qual se deve crer.”

2. Ora, São Pedro vive, governa e julga até hoje nos seus Sucessores fiéis à verdade universal, comum a todos. Mas os que dela se afastaram pelo “próprio libero consilio”, pregado pelo Vaticano II, afastaram-se de Cristo e de São Pedro, da “fides Apostolicae Sedis”: Não são membros da Igreja, nem Sucessores válidos de Pedro. A fé universal prosseguiu e prossegue imutável; porém pessoas humanas, falíveis, enquanto tais, afastaram-se da Casa Paterna, traíram a Igreja, como Judas e como Honório I (D.S. 563). A Cabeça divina, a única da Igreja, prossegue nas vacâncias do cargo de fundamento “secundário”, visível e humano, da Igreja (Inocêncio III). Prossegue o Magistério universal imutável em todas as vacâncias. Não somos seguidores de homens falíveis (Gal. 1,10); somos “cidadãos do céu” (Fil. 3,20), filhos do “Pai que está nos céus”, irmãos dos Santos e dos Mártires. O “culto do homem” proclamado pelo Sr. Montini, no Vaticano (07.12.1965) é o da cidade terrestre, do poder das trevas, das sombras da morte, com o “direito de não seguir a verdade” (2.9) de Deus. Isso é anti-católico, anti-Cristo, falso profeta, orgulho luciferino, “non serviam”.

3. A “pessoa viva”, seguidora de Lúcifer, não é a “pessoa viva”, seguidora de Cristo, do Direito divino, contra o qual nenhum papa verdadeiro tem o direito de proclamar o “direito de não seguir”. O caminho da salvação é “firme e único”; não existe um novo “caminho melhor”, oposto, como o prega a “pastoral” de Campos. O homem “a fide devius”: “Já está condenado” (Jo 3,18) “pelo seu juízo próprio” (Tit. 3,10-11). Quem o segue: “communicat operibus ejus malignis” (2 Jo 11) e “perde-se por não amar a verdade, mas consentir com a iniqüidade” (2 Tess. 2,1-11). São palavras de Deus.

4. A assistência divina à Igreja não cessou; nem é intermitente. Ela persevera em todas as vacâncias. Mas ela não é para os desviados da Fé, para as seitas heréticas; ela é para os fiéis à “fides Apostolicae Sedis”, do Magistério universal perpétuo, transcendente aos tempos e às pessoas individuais: umas aderem a ele e outras dele se afastam. As seitas, velhas e novas, não são a Igreja Católica. O papa visível não é uma outra Cabeça da Igreja, além da “única”; é um “fundamento secundário”, humano (Inocêncio III – D.S. 774). A Igreja não tem “duas cabeças”, Deus e o homem (D.S. 872 – Bonifácio VIII).

5. Bispos “em comunhão” com um papa herético – que não é papa – validando a sua jurisdição inválida, “já estão condenados” (Jo 3,18) com ele, porque: “validam as sentenças inválidas, vazias, sem forças, execráveis, profanas e reprováveis”. É a sentença de São Martinho (D.S. 520). Esse é o Magistério universal; não o de um particular; não o de um bispo ou papa desviado do Magistério dogmático, por seu “juízo próprio livre”, o do Vaticano II. Os bispos “em comunhão” com Honório foram condenados à eterna condenação “em comunhão” com ele. As cartas dele foram queimadas no VI Concílio; não pertencem ao Magistério da Igreja. Elas não tiveram a assistência do Espírito Santo, nem “graça de estado”; foram contra essa assistência. Mas o Magistério universal da Igreja permaneceu infalível, antes e depois dele. E os que resistiram a Honório foram “pios e ortodoxos defensores da Fé, mais consolidados na ordem na qual foram chamados pelo Senhor” (Sínodo de Latrão de 649 – Cânon XVIII). São Sofrônio e São Máximo não tiveram “comunhão” na Fé com Honório. O Magistério dos Concílios de Éfeso, Calcedônia e II de Constantinopla permaneceu o mesmo antes e depois dos desvios de Honório. O “Magistério do erro”, de Honório e dos bispos em comunhão com ele, antes e depois dele, estava e está sob anátema.

6. Igualmente, no presente, as doutrinas de Lutero, Lamennais, Loisy, Sangnier, Maritain, Montini, Wojtyla e Ratzinger foram condenadas pelo “Magistério póstumo” do Vaticano I, do Concílio de Trento, das encíclicas de Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Pio XI e Pio XII. Elas não se tornam “católicas” porque no Vaticano II multidão de bispos “atuais” – formalmente ou materialmente heréticos – aderiu a elas. Lúcifer se fingiu de católico no Vaticano II. E bispos – dolosos ou meramente imperitos – seguiram as suas mentiras do “novo caminho”, da “doutrina nova”, do “novo tempo”, dos “guias vivos atuais”, com “interpretação diferente”, “segundo as circunstâncias variáveis”.

7. São Gregório Magno nos dá a norma universal do agir católico: “Cunctas vero quae praefacta veneranda concília personas respuunt, respuo. Quae venerantur, amplector. Quia, dum universali sunt consensu constituta, se et non illa destruit quisquis praesumit aut solvere quos religant, aut ligare quos solvunt. Quisquis ergo aliud sapit, anathema sit” (D.S. 472). O Vaticano II, seus papas “novos” e o “guia atual vivo” de Campos, quer desligar o que a Sede de Pedro já ligou perenemente. “Eles se destroem a si mesmos e não à Igreja Católica”. Lúcifer quer aparentar ser católico.

VI – Pessoas humanas absolutas enquanto humanas

1. Diz a “pastoral” atual de Campos: “Deus assiste à Igreja. Não permite Ele que papas inventem doutrina nova; que papas deixem de guardar a Fé. A Sede de Pedro, pela oração de Cristo por Pedro (Lc. 22,32) permanece imune de todo erro. Essa infalibilidade compete ao papa e aos bispos em comunhão com ele. Se alguns bispos podem errar, o Magistério da Igreja não pode errar. É impossível que o Juiz Supremo erre em coisas da Fé. Se todos os bispos errarem, a Igreja erraria. Se a Igreja errasse, Cristo erraria. Donde é heresia afirmar que existe um obscurecimento total das verdades da Fé.”

2. Se tal doutrina fosse verdadeira inúmeros papas seriam falsos quando ensinam sobre o papa “a fide devius” e quando condenaram Honório, até na Profissão de Fé “Fides papae”. O que é uma contradição a si mesma. Ela não distingue o papa fiel, membro da Igreja, agindo como pessoa pública, unido e ligado ao Magistério universal da Igreja e a pessoa viva que pode agir como pessoa privada, pelo seu “juízo próprio” (Tit. 3,10-11) e “prudência própria” (Prov. 3,5), desviando-se da “fides Apostolicae Sedis” e perdendo “ipso facto” o cargo de jurisdição papal (Paulo IV) pela natureza do seu delito (D.S. 3803).

Pelo Magistério tradicional, o sentido da oração de Cristo por Pedro (Lc 22,32) refere-se primariamente à Igreja, à Sede de Pedro e à pessoa fiel que ocupando esse cargo exerce, como pessoa pública, o juízo do Magistério supremo “ex cathedra”. Nunca, pois todos os bispos erraram. Essa “universalidade” não se entende só à atualidade, mas a todos os tempos passados, presentes e futuros; estende-se a toda a Igreja universal – cidade dos filhos de Deus – regida pela Cabeça única, divina, em todos os séculos, da qual o papa é apenas “vigário”, o fundamento segundo em relação à Cabeça que é Cristo. A defecção de poucos ou de muitos em uma época não afeta a universalidade da Igreja infalível. No fim dos tempos os fiéis serão poucos (Lc. 18,8). A Igreja não é democracia, de direito humano, onde a “verdade” varia com o número de votos livres. Todos e cada um dos votos dos bispos desviados da Fé, no Vaticano II, por Direito divino, “são nulos”. É o que ensina Paulo IV (Cum ex apostolatus). A eleição de um herético, para qualquer cargo de jurisdição, “é nula” ensina ele. O papa herético é nulo “mesmo se eleito com o consentimento unânime de todos os cardeais” (Paulo IV). Não são os infiéis os que julgam as doutrinas dos fiéis (1 Cor 2,15). Não foi o papa Honório o juiz do Concílio de Calcedônia ou do Magistério de São Leão I. Os que “se separam da Igreja”, pela natureza do seu delito (D.S. 3803), eles não têm na Igreja “voz ativa ou passiva, nem votos válidos”. É o Direito divino (Jo 3,18) interpretado pela Igreja.

3. Donde a infalibilidade papal não se estende aos atos da pessoa privada do papa e a jurisdição papal “in haereticis non manet” (Santo Tomás, S.T. 2-2,39,3). E essa doutrina da Igreja é universal e necessária e não varia “com as circunstâncias concretas”. Isso é Relativismo dogmático de Mons. Lefèbvre, Dom Mayer e de seus seguidores e de outros. É o Relativismo do Sr. Ratzinger e dos pseudo-teólogos regentes do Vaticano II. Na Igreja não temos um “novo tempo”, com “nova ordem”, com “doutrina nova”, “atual”, oposta à “universal”, fraturando a unidade da Fé comum a todos, em todos os tempos. Tal concepção é a da “falsa religião cristã”, a do “ecumenismo”, onde a “verdade” vem de um acordo livre dos homens e não da autoridade superior de Deus.

4. Donde o papa é infalível se for verdadeiramente papa válido, ligado à fé universal do passado, agindo como pessoa pública, com o Poder Supremo, como Pastor universal de todos os fiéis. Mas não é infalível se “a recta fide exorbitaverit” (São Símaco); se “deprehendatur a fide devius” (Paulo IV, Adriano II, Inocêncio III, …). Donde é falso que um papa jamais pode pregar “doutrina nova” e que, pela oração de Cristo por Pedro, ele seja imune de todo erro como pessoa privada. Isso nunca foi doutrina do credo católico. A condenação de Honório está em Profissão de Fé (Fides papæ). Três papas e três Concílios condenaram Honório. E o VIII Concílio enquanto condena a Honório; ensina a infalibilidade da Igreja. São Leão II distinguiu o seu agir como pessoa privada e como pessoa pública: “Nós, et per Nostrum officium, haec veneranda Sedes Apostólica” (D.S. 562). Donde tal doutrina do “guia vivo” de Campos não é a da Igreja.

5. É contradição dessa pessoa afirmar a infalibilidade papal extensiva à pessoa privada dos papas e afirmar a falibilidade papal de São Leão II, Adriano I e Adriano II condenando Honório e de São Símaco, Inocêncio III e Paulo IV ensinando o papa “a fide devius”. A infalibilidade do VIII Concílio, aprovado pela Sede de Pedro, mostra a infalibilidade da pessoa pública e a falibilidade da pessoa privada de um papa. A excomunhão dos bispos em comunhão com Honório evidencia que a “comunhão” com um papa desviado da Fé é coisa condenada pela Igreja. E os “padres de Campos” e de Mons. Lefèbvre incidem nessa condenação (D.S. 520). O Vaticano I funda-se no VIII Concílio que condenou Honório (D.S. 3066). Só é membro da Igreja quem professa a verdadeira Fé (D.S. 3802). O papa fiel define verdades infalíveis “pelo seu cargo” (D.S. 562). Nesse caso, a infalibilidade da pessoa pública “é a que Cristo quis dar à sua Igreja” (D.S. 3074).

6. Donde com sabedoria e com o Magistério universal da Igreja, Santo Tomás ensinou que: “a jurisdição não permanece nos hereges” (S.T. 2-2,39,3). Ela é um poder “móvel”, recebido e perdido por “injunção humana”. Donde, no Vaticano II, a infalibilidade da Igreja não estava com os papas e bispos infiéis que – ou formalmente, ou materialmente – se desviaram da Fé universal. Ela estava com os bispos fiéis que rejeitaram esses documentos. Fosse apenas um só bispo que os rejeitasse, ele estava unido ao “Magistério universal” professado por 260 papas e por 20 Concílios ortodoxos. Eram os poucos lutadores de Gedeão contra os muitos inimigos do povo eleito. Os setenta bispos que repeliram a “Dignitatis humanae” estavam unidos ao Magistério universal infalível da Igreja. Os outros ou eram errantes por imperícia ou falta de vigilância necessária, ou eram já formalmente heréticos.

7. Para os fiéis não existiu um “obscurecimento total” das verdades da Fé, da Igreja e de Cristo. Mas ele existiu e existe sempre para os infiéis: “eles obscurecem para si e para os outros a visibilidade da Igreja” ensina Pio XII (Myst. Corporis). Santo Epifânio ensinou: “Toda oração colocada entre os filhos das trevas, argúi trevas; mas ela ilumina os filhos da luz”. Onde Honório via trevas, Santo Agatão via claridade e luz. “O mandamento de Deus é lucerna e sua lei é luz” (Prov. 6,23). Mas os desviados da Fé “amam as trevas” (Jo 1,5;9,14); “têm o entendimento obscurecido; são alheios à vida de Deus pela ignorância em que se encontram; pela cegueira do seu coração” (Ef. 4,18-19).

Donde o “guia vivo” de Campos quer ser “cego guia de cegos”; “ambos caem no abismo” disse-o Cristo. O erro é individual, pessoal, da pessoa privada. A verdade universal é da Igreja, da Sede de Pedro, da pessoa pública no exercício do cargo. Deus assiste à Igreja através de Pedro.

VII – Obediência aos lobos travestidos de pastores

1. Diz o “guia vivo” de Campos: “Deve-se obediência ao “papa vivo”, ao “guia vivo” mesmo fora da infalibilidade, em matéria não irreformável. Tal Magistério também tem assistência de Deus. Recusar-se a obedecê-lo é opor-se a Deus. Não basta o silêncio respeitoso; é necessária a adesão intelectual. É necessário fugir até do que é próximo da heresia.”

2. Tal “pastoral” é invertida, quer substituir a obediência devida à Igreja Católica, pela indevida à “igreja ecumênica”, “falsa” (Pio XI). Quer que o Magistério universal infalível seja mudado, livremente, pelos papas e bispos desviados da Fé. Quer que os filhos de Deus obedeçam aos seguidores de Lúcifer. Quer que a “norma universal” divina, esteja subordinada à “norma própria” (4,3) individual, humana. Quer que a Igreja Católica obedeça à seita dos “novos católicos”, “reformados”, com “doutrina nova” (D.S. 3070). Quer que as ovelhas de Cristo obedeçam aos lobos travestidos de “pastores”.

3. Por acaso esses “pastores” obedecem às Constituições “Dei Filius” e “Pastor aeternus”? À Bula “Cum ex apostolatus”? Às encíclicas Quas primas, Mirari vos, Quanta cura, Mortalium animos, Mediator Dei, Humani generis? Se é dever fugir até do que é próximo da heresia, como o “guia vivo” de Campos se une aos “guias vivos” heréticos de Roma; recebe deles jurisdição nula e Sacramento que é dito ser “ação da comunidade celebrante”, e portanto incapaz de conferir um Sacramento da Ordem?

4. Por acaso não eram verdadeiros pastores, São Leão II e os papas que condenaram a Honório I? Se não basta o silêncio respeitoso como fazem silêncio respeitoso sobre as heresias do Ecumenismo, liberdade religiosa, poder supremo colegiado, Missa do povo e até “validam” tais heresias? “Sofrer as injúrias contra si é virtude, escreveu São João Crisóstomo; mas é muito ímpio dissimular e não querer ver as injúrias contra Cristo e sua Igreja”.

5. Validar jurisdição inválida de hereges públicos é conceder poderes a Lúcifer dentro da Igreja. Paulo IV quis “impedir o Magistério do erro”; o Vaticano II quer “não impedir”, mas dar-lhe o “direito de ação pública” dentro da “nova igreja” ecumênica. Por acaso devemos todos receber o sinal de Shiva; beijar o Corão; ir a “cultos” ecumênicos em mesquitas, sinagogas, templos de Lutero ou dos vodus? Não se dissimule fingindo que não se vê a diferença entre a Igreja Católica e a “ecumênica”; entre o culto de Deus e o “culto do homem”, entre o “separamini” (2 Cor 6,14-18) e a “união” com os separados da fé universal.


VIII – O Atualismo ético: fora da Fé

1. Diz a “pastoral atual”: “O Magistério vivo, de pessoas vivas aplica os princípios perenes às circunstâncias atuais. Não é católico citar papas do passado como se fossem os atuais. Nem bispos do passado como se fossem os atuais. É heresia protestante substituir o Magistério vivo pelo póstumo. São Pio X substituiu o escapulário por medalha; o Sr. Wojtyla substituiu no terço antigo os mistérios antigos pelos mistérios luminosos. São Paulo resistiu a São Pedro, defendendo a abolição da circuncisão; mas circuncidou a Timóteo em atenção às circunstâncias, aos judeus. O princípio era o mesmo; mas a circunstância era diferente.”

2. Há sofisma e engano nessa argumentação. Estamos falando de “Verdades da Fé”, de Direito Divino, de matéria dogmática e o “guia” de Campos argumenta com matéria livre e contingente. A Dogmática é independente das circunstâncias. A matéria contingente pode variar com as circunstâncias. O que é de “necessidade de salvação”, como a obediência ao Vigário de Cristo (D.S. 745) não é matéria indiferente. Não se “aplicam” os dogmas à “circunstâncias diferentes” para daí resultarem “interpretações diferentes”. A “necessidade de consciência” ordena a obediência aos ministros de Deus “para o bem”, sob pena de “vingança na ira para o que pratica o mal” (Rom 13,1-8). A liberdade de consciência repele esta “coação exterior” dos mandamentos e dogmas. Professa o “direito de não seguir a verdade” (2.9), o “não impedir” os maus; o “não coagir”. Pio XI condena o Ecumenismo; o Vaticano II afirma o Ecumenismo. Não existe “princípio perene” onde a verdade é individual, “de cada um para si”. Não existe princípio “idêntico”, quando a interpretação não mais é “idêntica”, mas “diferente”. O “perene” não é “variável” quanto aos seu sentido. A verdade necessária não é “proprio libero consilio”. Não se “acomoda” a fé aos “sentimentos do espírito do novo tempo” (Missale Romanum). Não se prega “culto do homem”, com Agnosticismo e insubmissão ao culto do verdadeiro Deus. Se algum homem estultamente, execravelmente, “se fez deus” (07.12.1965), merece “anátema” e não “simpatia sem limites”. Pelas circunstâncias agora vamos a templos ecumênicos? A cultos ecumênicos? Receber o sinal de Shiva? Beijar o Corão? Rezar em mesquitas, em sinagogas e templos dos vodus?

3. Mudar escapulário por medalha não é questão de Fé. Introduzir mistérios luminosos também não. Mas mudar a Igreja Católica por ecumênica; a Igreja visível por “em espírito”; retirar a “coação” dos mandamentos; afirmar “o direito de não seguir a Verdade”; a “aequalitas jurídica” das religiões; a “liberdade de consciência”; a “colegialidade de representantes do povo com poder supremo”… é questão de Fé. Donde há sofisma. Validar a jurisdição do herético é questão de Fé. Subordinar a Dogmática à Ética é questão de Fé. Os Mártires seriam tolos se isso fosse livre. O Protestantismo estaria com a Verdade e a Igreja com os erros. Essa é a inversão fraudulenta, através da mentira. O papa herético quer reger os fiéis.

4. São Vicente de Lerins não é protestante quando ordena: “antiquitatem sequere” e não seguir o “Magistério vivo, atual”, em época de generalizada heresia. E é evidente a heresia atual. Só os próprios desviados da Fé não a querem ver.

5. Tal doutrina de Campos chama-se Atualismo ético. Foi condenada por Pio XII, em 18.04.1952, como “fora da Fé”. Desliga ela a Ética da Dogmática e até da Lógica racional, como o fizeram Mons. Lefèbvre e Dom Mayer e o Vaticano II. Isso faz “morrer a Fé”. Ela justifica mudar a Fé segundo “situações” e “circunstâncias”. Coloca o Individualismo ético e dogmático. Afasta o “Cristianismo dogmático” e os mandamentos “coativos”. Prega o “direito de não seguir a Verdade” (2.9) isto é, o “direito” de perverter a Fé e os mandamentos. Daí os “bispos” com o mesmo arco-íris dos sodomitas. Eis a essência desse “Atualismo” do “guia atual” de Campos. Onde estão os bispos “católicos” lutando na Câmara contra isso? A “discriminação” católica é contra a “não discriminação” do Vaticano II.

6. A citação da resistência de São Paulo a São Pedro para legitimar tal doutrina é perversidade doutrinária. A circuncisão era matéria livre. Porém São Pedro simulou que fosse necessária. Por isso “não andava retamente para a Verdade do Evangelho” (Gal 2,14). Donde, se o Evangelho não erra, São Pedro aí errou, diz Santo Tomás. Donde a circuncisão posterior de Timóteo confirmou que essa matéria era livre. E a Igreja depois ensina ser mortífera a doutrina que ensina serem necessárias as coisas legais da Lei Antiga (D.B. 712). Donde, depois da mudança da Lei Antiga para a Lei Nova, aí não existiu mudança alguma da “verdade do Evangelho”. Existiu apenas uma ação “não reta” por parte de São Pedro, causando “perigo para a Fé”. A Fé universal, não variou aí conforme as circunstâncias conforme pretende o “Atualismo ético” e dogmático de Campos, “fora da fé”. A que ponto chegou! É ignorância ou malícia? Pretende-se ver Relativismo da “verdade do Evangelho”, nas Escrituras, deixando de lado o Magistério universal, comum a todos os tempos (D.B. 712). Isso é o livre-exame de Lutero. É o Relativismo dogmático da “nova Teologia”, condenada por Pio XII (Humani generis). É “fora da fé”. É contra a Fé. É heresia pública. O “guia” vivo de Campos participa da inversão satânica entre o bem e o mal (Is. 5,20).

IX – A rejeição ao Magistério universal comum a clérigos e leigos

1. Diz o “guia vivo” de Campos: “Sacerdotes e leigos não pertencem à Igreja docente, mas discente. É perigo recorrer a eles, em época de crise, a pretexto de que a Igreja falhou. É subversão herética desconfiar da hierarquia. Não dão importância ao Magistério vivo. Não é legítimo, nem lícito o Magistério de presbíteros e leigos não submissos ao Magistério vivo. É Magistério paralelo.”

2. A contradição do “guia vivo” de Campos é patente. Foi ele que, anos atrás, afirmou com Dom Gueranger: “Quando o pastor se transforma em lobo, compete ao rebanho, em primeiro lugar, defender-se”. E agora acusa o rebanho de presbíteros e de leigos de “subversão herética” por defenderem-se dos lobos que pregam a heresia e que assaltaram o Vaticano em Roma. A Igreja Católica não falhou: os fiéis jamais disseram isso. É mentira. Mas eles dizem com verdade que “pastores da Igreja” deixaram de ser fiéis e, por “traição” (D.S. 563), como Honório, se converteram em lobos. O “Magistério vivo” dos lobos prega “o direito de não seguir a verdade” (2.9) do Magistério universal dogmático da Sede de Pedro, mas sim o “juízo próprio livre” (8.1) e a “norma própria” livre (4.3) dos heréticos, dos seguidores da “operação de Satanás” (2 Tess. 2,1-11). O “Magistério vivo” dos Montini, Wojtyla e Ratzinger, atuais, “pela natureza de seu delito, separou-se da Igreja” (D.S. 3803) e quer que os fiéis a Cristo os sigam. Os fiéis se separaram daqueles que antes se separaram da Igreja. É o que prega São Paulo: “Separamini” (2 Cor 6,14-18). O “guia” cego de Campos está contra São Paulo.

3. É sofisma grave da “Unitatis redintegratio” pregar a “união” dos fiéis com as seitas heréticas e as religiões pagãs separadas do único Deus Verdadeiro. Mudou o Concílio a identidade da “única verdadeira religião”: não mais é a da Igreja Católica; é a da “nova igreja católica”, a ecumênica. O Concílio apóstata prega que separar-se dos heréticos e dos infiéis: “contradiz a vontade de Cristo”. Mente. São Paulo seria mentiroso se o Vaticano II fosse certo. O “guia vivo” de Campos inverteu a verdade e o erro, a luz e as trevas.

4. São Jerônimo, que não era parte da Igreja docente, ensinou: “Se a nossa confissão é confirmada pela Sede de Pedro, quem me inculpar comprovará ser imperito, ou ser malévolo ou ser não católico e herético” (Apud S. Tomás, S.T. 2-2,11,2 ad 3). Donde os catequistas leigos não têm “Magistério de leigos” quando eles repelem o Magistério do erro de Lutero ou dos que seguem a Lutero. É o “guia atual” de Campos que, contra o Magistério universal da Igreja, prega a “validade” da jurisdição do herético, contra o Magistério de São Martinho (D.S. 520) e de Paulo IV (Cum ex apostolatus). Donde, por isso, ele se separou da Igreja Católica e se uniu aos filhos das trevas. Eis como essa infidelidade antiga levou às novas da pretensão de “união” com a “nova igreja ecumênica” e da obediência dos fiéis a Cristo aos infiéis separados do Magistério universal e dogmático da Igreja de Cristo. Mudaram a “Igreja verdadeira”.

5. São Jerônimo condenou a Libério: “in pravitate haeretica subscribens” (K. 630). Santo Eusébio: “coepit declarare Liberium hæreticum” (K. 1050). Era Magistério paralelo de presbíteros ou de leigos? Os “Padres de Campos”, durante anos, resistiram ao Magistério paralelo de Dom Navarro. Estavam nisso em “subversão herética”? Ou foi depois disso que eles se uniram, com o atual “guia vivo”, à “subversão herética”? Foi o atual “guia vivo” de Campos que escreveu no passado: “Se eu agradasse a homens, não seria servo de Cristo”. “Eu transmiti o que eu recebi (do passado). Se alguém vos anunciar outro evangelho, seja anátema”. E agora prega a união com o “Ecumenismo”; com quem é assinalado com o sinal de Shiva; com quem oscula reverente o Corão. Irá também ele fazer o mesmo? Irá a culto ecumênico em mesquita; na Sinagoga de Caifás, nos templos de Lutero? Não se pode seguir a Deus e ao demônio.

6. A heresia de hoje veio dos leigos e das ovelhinhas fiéis ou veio de uma hierarquia ariana que apostatou? Quem fundou o “Magistério paralelo” atual: foi São Pio X, Leão XIII, Pio XI, ou foram os Srs. Montini, Wojtyla e Ratzinger? É subversão herética seguir a esses hereges públicos, ou separar-se deles e repelir as suas blasfêmias contra a infalibilidade da “fides Apostolicae Sedis”? O perigo para a Fé vem de São Pio X, Leão XIII, Pio XI ou vem do “Magistério vivo” dos Montini, Wojtyla e Ratzinger, cuja doutrina diferente mudou “com as circunstâncias atuais”, plasmada pelos ateus da Revolução de 1789? E o “guia de Campos” prega esta variação da Fé, esta “interpretação diferente” “exigida pelas circunstâncias”. Vade retro!

7. O fogo do Inferno já está aceso (Mt. 25,41). O herético: “já está condenado pelo seu próprio juízo” (Jo 3,18). A norma divina é uma só: “Saí do meio deles e separem-se” (2 Cor 6,14-18). Donde o “guia vivo” de Campos conduz as suas ovelhas para o “novo caminho”: o da condenação eterna ao fogo do Inferno. O Magistério universal da Igreja é “comum a clérigos e leigos” (D.S. 639); não é ele a “sentença do próprio espírito de cada um” (3.10) pregada pelo Vaticano II e pelo “guia vivo atual” de Campos. Não espero que me ouçam. Não me ouviram no passado. Mas, perante Deus isto valerá para mim que os adverti e para eles que não quiseram ouvir, não a mim, mas ao Magistério infalível universal, divino, que lhes recordo. O endurecimento no erro evidencia o herético, o que não ama a verdade.

Parte Segunda – Doutrinas Heréticas em Roma

I – A interpretação da heresia à luz da Tradição

Roma e Campos falam em interpretação das heresias do Vaticano II “à luz da Tradição”. Mas, à luz da Tradição, a heresia objetiva é heresia; não é a Fé universal. Não se pode interpretar o “não” da Tradição pelo “sim” do Vaticano II; não se pode interpretar a luz pelas trevas e as trevas pela luz (Is. 5,20). Mas é isso o que prega o Vaticano II; nega a universalidade da verdade e quer que as falsidades se tornem “verdades” subjetivas: “de cada um para si” (3.3). Em vez da fé universal cada um com “sua fé” (4.5). Em vez de mandamentos coativos universais, cada um com “normas próprias” (4.3) livres. Donde não se interpreta a heresia do Vaticano II como sendo a “fé universal, comum a todos” (D.S. 639).

Donde é o suspeito de heresia o que tem o dever de remover a suspeita que sobre ele recai e não é o fiel que deve interpretar a heresia como se ela fosse a fé universal. Se após advertências o suspeito “causam suspicionis non removeat” e “sese non emendaverit”, a lei da Igreja ordena para os fiéis: “habeatur tanquam hæreticus” (Cânon 2315). Ele não confessou a fé externamente (Rom 10,10) e o seu silêncio: “traz consigo uma implícita negação da fé” (Cânon 1325). E, nesse caso, “presume-se, no foro externo, o dolo”, a não ser que ele prove o contrário (Cânon 2200,2).

Donde é rejeitável a pretensão do “guia vivo atual” de Campos, que, agindo contra a razão e contra a Fé, pretende que sejam interpretadas as heresias do Vaticano II “à luz da Tradição”, como se a heresia se convertesse em norma da Fé pelo Subjetivismo dos intérpretes. O não seria interpretado como sim; a heresia como fé; o erro como verdade. Isso faz o “guia atual” há anos, interpretando o inválido como válido, o erro como verdade, a heresia como fé. Duas contraditórias são iguais, dizem os agnósticos; têm “igualdade jurídica” diz o Vaticano II.

II – A liberdade de ação para a idolatria

1. “Teólogos disseram que não existe a contradição”, diz o “guia vivo” de Campos. Mas o “juízo próprio livre” desses teólogos, juízo particular, não foi rejeitado pelo “guia vivo”? Como agora o usa como “critério da verdade”? Leão XIII ensinou que: “De nenhum modo é lícito defender a liberdade promíscua de religiões como um direito que a natureza deu ao homem” (Libertas). O Vaticano II afirma o oposto: “O homem tem direito à liberdade religiosa. Ela permanece nos que não seguem a verdade. Ela funda-se na natureza do homem. (D.H. 2). O “não” virou “sim”. O erro virou verdade. Logo, digam o que quiserem os “teólogos” escolhidos pelo “guia vivo”, eles não retiram a contradição clara e objetiva. E o erro exclui a verdade, como a verdade exclui o erro.

2. Apela o “guia vivo” de Campos, com erro, para a “circunstâncias” variáveis: “É preciso entender as razões e as circunstâncias do documento. Os poderes públicos esforçavam-se por afastar os cidadãos da profissão da religião. Tornavam difícil a vida para as comunidades religiosas. Donde a liberdade religiosa é necessária nas atuais circunstâncias. A Declaração o afirma”.

Eis a confissão explícita do Relativismo da verdade, do Atualismo ético, da Moral de situações condenada por Pio XII como “fora da Fé” (18.04.1952). Esse é o Historicismo condenado por Pio XII (Humani generis). Os Mártires deram a vida por não mudar a Fé e agora querem mudá-la. Os Mártires foram tolos nas situações difíceis e nas perseguições políticas? Se à época de Declaração os comunistas martirizavam aos católicos isso não autorizava a um católico a mudar a doutrina católica “sob o ponto de vista político”. Ele está subordinado à verdadeira Fé. Donde não se muda a doutrina “de tolerância religiosa”, pela doutrina do “Direito à liberdade religiosa”, porque um poder político martirizava aos que permaneciam na verdade religiosa universal, contrária aos erros individuais dos inimigos do único Deus verdadeiro. Por ordem de Deus, dada a Moisés, 23.000 hebreus foram mortos por trocarem o culto do verdadeiro Deus, pela liberdade religiosa para adorarem um bezerro de ouro, um ser material feito falso deus. Donde o Relativismo criminoso aí é confessado em Roma e em Campos, claramente.

3. Diz o guia vivo: “Mons. De Smedt, Relator da Declaração, deu o “sentido autêntico” dela. Disse que ela tem “um sentido determinado”; que a ela não pode ser dado “outro sentido diverso”, “obstinadamente”. Ele “exclui” outro sentido nas “palavras” e na “sua intenção”. Entretanto ele se negou, terminantemente, a definir o sentido das “palavras” principais da Declaração. O sentido de “uma religião” é indefinido, se é a verdadeira ou falsa. Ele nega o “juízo próprio livre” e afirma o “juízo próprio livre”. Fala em uma “obrigação moral” sem discriminar entre a verdadeira e a falsa e coloca o “direito de não seguir a verdadeira”. Afirma o “dever de buscar a verdade” e o “direito de não buscar”. Nega o Indiferentismo para “qualquer religião” e afirma o Indiferentismo do direito de seguir “qualquer religião”. Afirma que a consciência humana é vinculada; mas que é vinculada pela liberdade, que os “atos interiores de religião são livres” (3.7). Nega que o homem seja “sem lei”, mas afirma que sua lei é a “sentença do seu próprio espírito” (3.10), “o juízo próprio livre” (8.1). Nega a “consciência desligada de toda obrigação para com Deus”, mas afirma “o direito de não cumprir a obrigação para com qualquer deus”. Nega “igual direito ao falso e ao verdadeiro”, mas afirma a “igualdade jurídica” entre o falso e o verdadeiro (6.7). Afirma que não nega uma “norma objetiva” de verdade; mas afirma que tal norma é a “norma própria”, subjetiva, da consciência de cada um. Nega a “incerteza” universal, mas afirma a incerteza universal em todos os homens, numa “busca” universal da verdade.

Donde é hipocrisia suprema e mentira de agnóstico o que disse o Relator. O sentido determinado é aí o indeterminado. A pertinácia nos erros é atribuída aos fiéis que permanecem necessitados pela verdade natural e revelada. O sofista Nicolau de Ultricuria afirmou tal Agnosticismo: “Contradictoria ad invicem idem significant”, “Deum esse et Deum non esse idem est”. É o Subjetivismo de Protágoras e de Einstein: tudo é arbitrário na Lógica, Ontologia, Teologia, Moral e Direito. A verdade universal torna-se individual; a necessária torna-se livre. A “universalidade” da verdade e da Fé, comum a todos (D.S. 639) é o ponto central do desvio filosófico e dogmático do Vaticano II. Cada um com “sua fé” e “normas próprias”. Daí o Ecumenismo, o pluralismo das falsidades igualadas à verdade da “fé universal”. Daí o panteão de todos os falsos deuses da “igreja ecumênica” elevada agora à falsa condição de “única verdadeira” (1.7). É a palavra do Pai da Mentira.

4. Diz o “guia vivo” de Campos: “O Concílio afirma – do ponto de vista natural – um direito de não ser forçado pelo Estado, a agir, ou de não ser impedido de agir, em matéria religiosa, dentro dos justos limites. Neste domínio existe ausência de jurisdição, incompetência do poder civil. Tal jurisdição é verdadeira; mas não é absoluta; porque deve reconhecer a verdadeira religião, a da Igreja Católica. Vem isso da transcendência da religião sobre a ordem terrestre e temporal, sobre o fim próprio do Estado”.

Tal doutrina é falsa: o fim próprio do Estado para os bens temporais não retira o seu fim último para os bens espirituais, só para o único Deus verdadeiro e não para os falsos. Ele tem o direito e o dever de proteger só à verdade universal, comum a todos, na ordem natural e revelada, e, de modo algum, o direito e o dever de proteger a liberdade individual para qualquer falsa religião. A verdadeira religião “transcende à ordem terrestre a temporal das coisas”, não as falsas religiões. Mas o Concílio, viperinamente, substitui a “única verdadeira religião”, a da Igreja Católica, pela “falsa religião cristã” (Pio XI), a da “igreja ecumênica”, a do “culto do homem”. O Estado tem o dever de coagir para a verdade e de impedir as ações contra a verdade dos dez mandamentos de Deus, naturais e revelados. Ele tem toda competência jurídica para isso. É do direito natural (Rom 2,14). Donde a “verdadeira religião” que o Concílio reconhece e que quer que o Estado reconheça, não é a única verdadeira religião; não é a Igreja Católica. A fraude e a mentira, no Concílio, fazem passar o Ecumenismo pela verdadeira e única religião, a “do homem”, não a do único Deus verdadeiro. O “guia de Campos” foi enganado pelas mentiras do Concílio.

5. Diz ele: “O Concílio só afirma um direito negativo; não um direito positivo às pessoas para atos não conformes com a verdade e o bem em religião”.

Isso é falso. Ele afirma um positivo direito de “não satisfazer a obrigação de seguir a verdade” (2.9). Afirma isso como sendo pertinente “ao homem”, à “natureza” humana. A “verdade” que ele afirma é o erro “de cada um para si”, não universal, não necessária, mas livre. Ele iguala as falsas religiões à verdadeira, “sem discriminação” (6.7). Retira toda “coação exterior” da verdade natural e revelada, do “ministro de Deus”, na Igreja e no Estado (Rom. 13,1-8). Isso é heresia ensinou Pio VI (D.S. 2605). É Agnosticismo condenado por São Pio X na “Pascendi”. Sequer refere a Sede de Pedro como autoridade suprema em “matéria religiosa”.

6. Conclui com falsidade: “Não existe contradição entre o Magistério universal e o Vaticano II. O Magistério condenou a concepção liberal maçônica, o Indiferentismo do Estado, a igualdade das religiões, a liberdade moral para escolher qualquer religião. O Vaticano II defende não a liberdade moral, mas a política, civil”.

Tal conclusão é falsa de direito e de fato. A liberdade política e civil depende da moral verdadeira e esta depende da Religião verdadeira e esta depende da verdade universal, comum a todos, necessária e não livre. Donde quem defende a liberdade religiosa, defende a liberdade moral, política e jurídica. Quem defende o “direito de não seguir a verdade” – que é universal e necessária – defende a Criteriologia arbitrária da verdade, a “Lógica de regras arbitrárias” da Maçonaria e de Einstein e a Ciência falsa, com o “sistema arbitrário” do agnóstico Einstein. É a “religião da espontaneidade” de Einstein e do Sr. Montini. O Concílio defende a “concepção liberal” para “qualquer religião” (6.8), com “igualdade jurídica” (6.7), para escolher “qualquer religião”. A “ordem política, civil” não pode afastar-se da verdade universal dos mandamentos coativos de Deus e da sua subordinação ao único Deus verdadeiro, em matéria religiosa e moral. A moral depende da Religião e não a Religião do exercício livre das normas morais de qualquer religião. A liberdade religiosa gera a liberdade moral, necessariamente. Não se inverte a ordem entre a razão e a vontade, entre a verdade e a liberdade.

7. Diz o “guia vivo”: “Não poderia existir contradição entre o Magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo e o Vaticano II”.

Ora, uma “doutrina nova”, de quem peca contra a Fé, como pessoa privada, contra os seus deveres de membro da Igreja, não tem assistência do Espírito Santo (D.S. 3070). Nem os bispos e nem o papa são impecáveis como pessoas privadas. O VI Concílio queimou as cartas de Honório como nocivas às almas e as dos bispos “em comunhão” com ele. São Leão II condenou-o por “profana traição” (D.S. 563). Não existe contradição no Magistério universal da Igreja verdadeira. Mas há contradição a este Magistério pelos “juízos próprios” (Tit. 3,10-11) de pessoas particulares que dele se desviaram, passando da Fé universal para a heresia da “sua fé” e “normas próprias” como prega o Vaticano II. Eis a argumentação falsa!

8. Diz: “O Concílio declara que todos os homens são obrigados, moralmente, a buscar a verdade, sobretudo sobre religião. E diz que têm obrigação moral de aderir à verdade conhecida. E que têm obrigação moral de ordenar sua vida segundo a verdade”.

Ora, ele coloca aí a verdade lógica e teológica (religiosa) subordinada ao exercício livre de uma obrigação moral. Logo tal obrigação moral vem do Agnosticismo da Razão Teórica de Kant e não da Criteriologia racional da verdade única. Donde tal doutrina vem da Razão Prática de Kant, da doutrina de todos os agnósticos. Deus não é conclusão, mas premissa com relação à Ética. Desse exercício livre, volitivo, de obrigações morais vem o “direito de não seguir a verdade” e o “Individualismo ético” que repele doutrinas universais necessárias. Vem cada um com “sua verdade”, “sua fé” e “normas próprias”. O Agnosticismo é a base do Concílio.

9. Diz: “O Concílio exclui o Agnosticismo e o Indiferentismo do Estado porque afirma que indivíduos e sociedades têm obrigação moral para com a verdadeira religião e a única religião de Cristo”.

Existem aí duas falsidades: primeiro coloca a verdade religiosa dependente da Ética, da obrigação moral. A Dogmática e a lógica seriam dependentes do exercício livre das normas da Ética. Inverte-se a ordem. E depois, dessa inversão decorre que “a verdadeira religião” e a “única igreja de Cristo” não mais será a Igreja Católica tradicional, limitada pela verdade universal; mas será a “igreja ecumênica”, “nova”, pluralista, onde cada um tem a “sua verdade para si” (3.3), a “sua fé” (4.5) e “normas próprias” (4.3). A fraude agnóstica aí está. O “dever de seguir a verdade” será igual ao “direito de não seguir a verdade” (2.9).

10. Diz: “O Concílio afirma que o Estado não pode interferir nas consciências; forçar a agir contra elas; impedir de agir segundo elas, dentro dos devidos limites. Estes devem ser determinados para cada situação, pela prudência, pelo bem comum e ratificado pelo poder civil por normas jurídicas, segundo a Moral objetiva”.

Ora todas as consciências individuais são necessitadas pelas verdades objetivas universais, pela Teologia natural e revelada universal, pelos mandamentos coativos universais do único Deus verdadeiro. Logo o poder civil pode e deve proteger os verdadeiros e bons e coagir e impedir os maus e falsos. O “guia atual” de Campos aí “não discriminou” entre verdade e erro, entre bom e mau. A “prudência própria” é condenada por Deus quando vai contra as normas universais do agir de Deus e da Igreja. As normas jurídicas e a Moral objetiva dependem da Religião verdadeira, única, universal, e não de “juízos próprios” (Tit. 3,10-11), individuais, dos hereges. O Concílio aí defende os hereges e o “guia vivo” também. A verdade universal tem seus “limites objetivos” que geram “deveres” universais para com a verdade e o único Deus verdadeiro. Eles não são “determinados para cada situação social” e pela “prudência política” de qualquer governante. A verdade e a lei universal independem das “situações” individuais. Isso é a “Ética de situações”, “Atualismo ético”, “Individualismo ético”, o que é “fora da Fé” ensinou Pio XII. O “bem comum” não vem dos fatos concretos indiscriminados, cristãos ou luciferinos e pagãos; ele é definido pelas leis coativas dos mandamentos e da Fé cristã. E a “autoridade civil”, nessa matéria, é subordinada à Sede de Pedro que o Concílio sequer menciona e que coloca sob a regência do poder civil agnóstico. Lúcifer aí rege a Cristo. É a “grande inversão” do Concílio entre Deus e o homem; entre o culto da verdade de Deus e o culto da “liberdade sagrada” do homem para seguir, por direito, os erros, a Lúcifer.

11. Diz o “guia atual”: “Afirmar o limite da jurisdição do Estado não significa negar a ele o dever de reconhecer a religião verdadeira, a Católica e de ajudá-la em sua missão, protegê-la e de render culto a Deus, a Cristo-Rei”.

Ora, o Concílio “iguala juridicamente” todas as religiões “sem discriminação por razões religiosas” (6.7); prega cada um com verdades individuais “para si” (3.3), “sua fé” (4.5) e “normas próprias” (4.3). Donde os “atos religiosos” aí são os de “qualquer religião” (6.8). Ora os falsos excluem os verdadeiros. Donde a “verdadeira religião” que ele afirma, não é a Católica, é a falsa, a “ecumênica”, a que Pio XI afirmou ser uma “falsa religião cristã”. Donde o “deus” que aí é cultuado não é Jesus Cristo; é o de qualquer religião: Shiva, Alá, Lúcifer. As palavras da “nova igreja” serpenteiam como as vozes das serpentes; é a voz da Serpente.

12. Diz o “guia atual”: “Quando o Concílio diz que a Tradição e o dever moral das pessoas e sociedades para com a religião verdadeira e a Igreja de Cristo continua integra, afirma que os princípios das encíclicas e o ensinamento tradicional sobre o reinado social de Cristo continuam de pé.”

Ora, o Concílio coloca cada um “com os seus princípios religiosos” (4.3), e as suas “normas próprias” e todos com o “direito de não seguir a verdade” (2.9). Ele coloca o “dever moral” agnóstico, independente da Criteriologia da verdade e da verdade teológica. Logo é um “dever” arbitrário, agnóstico, e o “reinado social de Cristo” será subordinado ao de Lúcifer, por “leis civis” e pelo “poder civil” defendendo todas as falsas religiões que excluem, logicamente, a única verdadeira. É fraude! É a “operação do erro” (2 Tess 2,1-11).

13. Diz o “guia atual” de Campos: “O Concílio defende a laicidade do Estado, como distinção entre ordem política e religiosa; como “valor adquirido”, reconhecido pela Igreja, como parte do patrimônio já conseguido. Não como autonomia da lei moral, Laicismo ou Agnosticismo do Estado, seria a indiferença para com a verdadeira religião”.

Ora é falso que o Concílio aí defende só a “distinção” entre ordem política e religiosa. Ela não é um “valor adquirido” pela Civilização Moderna, vem do “Jus antiquum” da Igreja, de Santo Inocêncio, São Celestino, São Leão I, São Felix, São Gelásio, São Símaco, São Nicolau I e dos Santos Padres, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. O que Maritain disse ser “valor adquirido” que a Igreja devia conservar “como patrimônio já conseguido” é a ordem social “não fundada na verdade”, mas a que: “as energias do erro erguiam, como verdades cativas, contra o Catolicismo”. É a cidade “ecumênica”, defendida por Marc Sangnier, oposta à cidade católica, e, por isso condenada por São Pio X (Notre charge apostolique). É a autonomia do homem confiado na “falsa concepção de dignidade da pessoa humana”, centrada no Agnosticismo e na insubmissão ao poder divino e aos ministros de Deus. Tal Agnosticismo coloca, indiferentemente, qualquer falso “ato religioso”, como “transcendente à ordem terrestre e temporal” (3.10). A sua “verdadeira religião” é a que Pio XI afirmou ser a “falsa religião cristã”, a do Ecumenismo. A “lei moral” verdadeira não vem do Ecumenismo; não vem de “qualquer religião” (6.8). Quem prega “nec discriminatio fiat propter rationes religiosas” (6.7), prega o Agnosticismo e o Indiferentismo religioso. Donde o “guia vivo” de Campos ou é imperito ou é desviado da Fé e está fora da verdadeira Igreja Católica.

14. Diz ele: “O Concílio, excluindo o Indiferentismo, diz que os fiéis devem atender à doutrina sagrada e certa da Igreja; como Pio XII”.

Só que Pio XII referiu-se aí à Igreja Católica tradicional e o Concílio refere-se à sua “nova igreja”, ecumênica, que Pio XI afirmou ser “falsa”. De qual “igreja” falsa vem o “dever” moral? A “única verdadeira religião” (1.7) do Concílio não é a Católica, de 2.000 anos, 260 papas e 20 Concílios. É a “sua” nova, de cada um com verdades “para si” (3.3) e “normas próprias”. O “guia atual” de Campos foi enganado pelo Pai da Mentira que regeu o Concílio com enganos, mentiras, fraudes, contradições muitas ao Magistério universal da verdade. Segui-lo é seguir o Pai da Mentira. Resistir a ele é o dever dos fiéis ao Magistério universal, o mesmo ontem, hoje e sempre.

15. Diz o “guia atual”, “A Declaração foi promulgada. Isso a torna um documento do Magistério”.

Ora, o documento de uma pessoa particular, contra o Magistério universal, jamais é documento do Magistério infalível da Igreja. O Vaticano I veta isso (D.S. 3020); veta “doutrina nova” (D.S. 3070); veta “outro sentido” (D.S. 3043). São Paulo anatematiza isso: nem que o Concílio fosse de anjos do céu (Gal. 1,8-9). A liberdade cristã não vem “ex voluntate viri” (Jo 1,13) e esta vem de “animorum appetitiones” (1.5), de “opções” humanas (15.1). Donde é documento do “Magistério do erro”, da “operação do erro” (2 Tess. 2,1-11), da “operação” do “homem do pecado no templo de Deus”, da “abominação da desolação no lugar santo”, profecia de Daniel.

16. Diz o “guia vivo”: “Deve existir respeito sincero para com as diversas religiões; a autoridade deve respeitar os direitos da pessoa humana, o exercício da liberdade. A Igreja respeita e promove a liberdade política dos cidadãos”. Doutrina herética! A verdade e os erros, o bem e o mal não merecem igual respeito: “Me reverearis proximum tuum in casu suo; ne retineas verbum” (Eccl. 4,27). O ministro de Deus é: “Vingador na ira contra o que pratica o mal” (Rom. 13,5). Paulo IV quis “impedir o Magistério do erro aos que não querem ser discípulos da verdade” (Cum ex apostolatus). O Vaticano II prega o oposto: “não impedir” o Magistério de “qualquer religião”; quer assegurar a elas o direito de pregar “publicamente”, todas as falsidades religiosas (6.8). A contradição doutrinária é patente. A Igreja verdadeira respeita a verdade religiosa e a liberdade de ação limitada pela verdade universal. É a “falsa” igreja “ecumênica” que prega esse “igual respeito” para a liberdade de ação de todos os malfeitores. Respeitam as ações dos sodomitas e dos falsários contra os mandamentos de Deus. Respeitam os líderes de todas as falsas religiões pagãs e heréticas enquanto colocam o Vigário de Cristo subordinado ao poder público agnóstico e ateu. Por acaso Moisés “respeitou” os hebreus que adoraram o bezerro de ouro? (Ex. 32,37) São Pio X condenou a “igual tolerância” para todos os erros (Notre charge apostolique). Eis a religião do “arco-íris”, comum aos sodomitas e a bispos da “nova igreja”. O Pai da Mentira passou por Campos. Pelo visto o “guia vivo” de Campos não penetrou adequadamente na “grande inversão” do Vaticano II, colocando a Razão Prática de Kant separada da Razão Teórica, na qual o Agnosticismo impera na Criteriologia da verdade e na Ontologia e Teologia. Não olhou a Individualismo lógico e ético do Vaticano II, cada um com verdade “para si”, “sua fé” e “norma própria”, livre, com a liberdade individual “acima” e “transcendente” à verdade universal não livre; à ordenação universal coativa do único Deus verdadeiro, Cristo. Não olhou na Teologia nova a “igreja em espírito”, sem “coação exterior”, dogmática e moral, gerando um “Direito” de agir contra as obrigações morais para com a verdade universal e contra o Deus verdadeiro. Desapareceu a Sede de Pedro na Declaração. Isso é significativo. Desapareceu a tiara, símbolo do poder divino. Isso tem significado doutrinário. Quando e onde a Igreja pregou o “direito de não seguir a verdade”? Quando e onde facultou receber na fronte o sinal de Shiva? Ir orar com os pagãos, em mesquita, em direção a Meca e pregar que o Deus cristão é o mesmo que o dos pagãos? Dissimular perante isto é “união” com tais obras malignas; é merecer o mesmo castigo (2 Tess. 2,1-11) dos que perecem por não terem amor à verdade. “Quem não ama a Cristo seja anátema” (1 Cor. 16,22). Jesus não respeitou os fariseus e os saduceus e os “doutores” dos erros. Morreu por não fazê-lo. Chamou-os de “sepulcros caiados”. São João Batista chamou-os de: “raça de víboras”. Não importa isto ao “guia vivo atual”?

III – A união do culto de Cristo com o dos ídolos

O “guia atual” de Campos não viu que o Ecumenismo deriva-se do “direito de não seguir a verdade”, da liberdade religiosa; da “igualdade jurídica” das falsas religiões desejada em relação à única verdadeira. Não viu que ele veio do livre-exame dos protestantes (D.S. 2884-2888), do pan-cristianismo condenado por Pio XI como “falsa religião cristã”, “contra a Religião divinamente revelada”.

Ele quer “a união” dos fiéis católicos com os que se separaram do Magistério universal da Igreja. A Revelação divina ordena o “Separamini”, “não levar o mesmo jugo com os infiéis” (2 Cor. 6,14-18). Mas o sofisma conciliar argumenta, na “Unitatis redintegratio”: “Cristo fundou uma única igreja”. Mas o Ecumenismo pretende que ela seja a “ecumênica” e não a Católica. Fala então das ”muitas comunhões” que se dizem “cristãs” e que se dizem “a única Igreja de Cristo”. Mas não discrimina a verdadeira e as falsas. “Todos se dizem discípulos do Senhor”, mas o Magistério da Igreja discrimina entre os verdadeiros e os falsos, enquanto que o Vaticano II, subjetivamente, os iguala. “Têm pareceres diversos”, diz, mas não discrimina entre eles os da verdadeira Fé e os da heresia.

Viperinamente conclui: “Esta divisão contradiz a vontade de Cristo”. Qual “divisão”? A Revelação e a Igreja Católica ordenam a separação daqueles que antes se separaram da verdadeira Igreja. Insinua, pois que a separação dos fiéis em relação aos infiéis, separados da Igreja de Cristo, “contradiz a vontade de Cristo”. A “nova igreja”, a “ecumênica”, seria a da “vontade de Cristo”, “a única verdadeira religião” (1.7). A Igreja Católica por isso é “escândalo para o mundo” das falsas religiões; ela prejudica “a pregação do evangelho” – do novo “evangelho”, que vem da “mente dos homens” (12.4), “para toda criatura”, “sem discriminação” de credo verdadeiro ou falso. É a “nova igreja”, do novo “povo de Deus”, ao qual pertencem “todos os homens”, na “igreja do homem”, da “humanidade” (São Pio X, Notre charge apostolique). A sinuosidade das palavras do Concílio é imensa.

Dessa introdução que aparenta um pan-cristianismo, passa o Concílio a um politeísmo ecumênico-pagão. Busca traços de união em todas as religiões: Judaísmo, Maometanismo, e até Budismo e Bramanismo ou Vodus e Satanismo. Não se olham as diferenças entre Cristo e Alá; entre Cristo e Shiva; entre os Evangelhos e o Corão; entre o Cristianismo e o Satanismo. E surge aí o templo ecumênico e o “culto ecumênico”, unindo todas as falsas religiões, que cultuam os demônios (Salmo 95,5) e a Cristo, único Deus verdadeiro. Eis os “fiéis” “unidos” aos que são infiéis e que cultuam ídolos e Satã. A “Unitatis redintegratio” era parte da “Dignitatis humanae”. As heresias de uma, levam às da outra. A “unidade da Igreja” já não é mais na única verdadeira Fé; é em torno da “profissão de qualquer Fé”. É a doutrina do heresiarca Lamennais. Eis o “guia vivo” de Campos enganado pelos “guias vivos” de Roma. Pio XI ensina que a Igreja “jamais” perdeu a sua unidade de Fé no decurso dos séculos. Donde não necessita de “reintegração da unidade”. Eis a falsa suposição do Vaticano II. “Os filhos afastaram-se da Casa Paterna; mas ela não se fez em pedaços por isso”. Donde a “união” dos infiéis com os fiéis não pode ser essa “ecumênica”, de cada um com a “sua fé”. Só pode ser pela conversão: renegando a fé falsa e confessando a única verdadeira. Isso não querem.

Donde o Ecumenismo é “falsa religião cristã”; “oculta gravíssimo erro pelo qual são destruídos totalmente os fundamentos da Fé” (Pio XI, Mortalium animos). Donde o “guia vivo” de Campos ou segue a “falsa religião cristã”, conscientemente, cegamente, ou retorna, pela conversão pública, à Casa Paterna. São os hereges os que querem mudar o verdadeiro pelo falso, “conforme as circunstâncias”. A Igreja Católica condena um pan-cristianismo e um Ecumenismo que oculta o politeísmo pagão, e o culto dos demônios. Quer o “mesmo deus” dos maometanos e dos hindus que renegam a Cristo. Isso não é “tradicionalismo”, fidelidade à Igreja Católica da Tradição: é construir templos para Lúcifer. Não é a um leigo ou a um presbítero que aí se trai; é a Cristo, é ao único Deus verdadeiro. Qual Apóstolo prestou serviço à Sinagoga de Caifás? Judas foi Apóstolo de Cristo, mas em comunhão com Satanás, seu novo “guia vivo”, contra Cristo.

IV – A Sede de Pedro substituída por colegiado de representantes do povo.

1. O “guia atual” de Campos diz que renega bispos do passado e quer os do presente. Mas, para seguir o erro vai se apoiar em bispo do passado; vai opor Dom Mayer ao Magistério universal da Igreja. A este não se opõem as palavras nem de um Santo Agostinho ou São Jerônimo. A Constituição divina da Igreja é monárquica (D.S. 3555). São os cismáticos e os heréticos os que a quiseram colegiada, democrática. O Vaticano II segue a estes, opostos a Leão XIII que ensinou: “Os bispos não têm autoridade nem plena, nem universal, nem suprema” (D.S. 3307). O Vaticano II contradiz: “A ordem dos bispos é também detentora do poder supremo sobre a Igreja inteira” (Lumen gentium, 22). Então ou temos duas cabeças supremas, doutrina herética (D.S. 1999), ou o papa virou uma parte do poder colegiado, doutrina herética (D.S. 3055). “As chaves do reino dos céus foram dadas só a Pedro”, ensina Leão XIII. O Vaticano II diz o oposto: “foram dadas também ao colégio dos bispos”. Para disfarçar o Concílio coloca os bispos “em união” com o papa. Responde Leão XIII: eles só estão unidos com Pedro se estiverem “sob Pedro e o obedeçam”. Donde o subordinado, enquanto tal, não é “poder supremo”. O que aí está oculto? É a “igualdade” maçônica e protestante de todos e do Concílio: “Cada um ordena-se a si mesmo por sentença do seu próprio espírito” (3.10); é o “proprio libero consílio” (8.1). Por isso o Vaticano II transforma cada bispo: “ele representa a sua igreja”; ele “exprime a variedade e a universalidade do povo de Deus” (Lumen gentium, 22); e a este novo povo de Deus pertencem “todos os homens” (Catecismo novo, 836). Donde o colegiado é a “república” de Febronius, democrática, onde todos os bispos, iguais, “simul regunt”, com “o mesmo poder”. O “novo papa” “recebe da Igreja a sua força” (D.B. 1500); é “vigário ministerial do povo” (D.S. 2602-2603). Eis o “culto do homem” proclamado pelo Sr. Montini (07.12.1965). Eis a causa da deposição da tiara.

2. Perante tais fatos e doutrinas nada vale a “interpretação” de um Dom Mayer ou Mons. Lefèbvre para validar esse “poder” nulo e inválido do colegiado, contra o Magistério de São Martinho (D.S. 520) e de Paulo IV (Cum ex apostolatus). Ao “Magistério póstumo” da verdade até o papa está subordinado. Se for ao do erro, ele “já está condenado” (Jo 3,18). Esses dois bispos aí estão condenados.

3. O Vaticano II ensina que os muçulmanos, pagãos: “adoram conosco o mesmo deus”. Mas eles negam a Cristo. Agora os “novos católicos” têm “união” ecumênica com eles, na “falsa religião cristã”. Condenam a Igreja Católica: “foi contrária ao espírito evangélico” (12.3), evangelho “da mente dos homens” (12.4). Não mais confessam o dogma de Fé: “A Igreja Católica (a tradicional) é a única verdadeira”. Confessam a “falsa”, a “ecumênica”. Ela é agora, “a única verdadeira”. Perversão satânica!

4. “Os deuses dos pagãos são os demônios” (Salmo 95,5; 1 Cor. 10,20). E o “novo guia” de Campos serve à “falsa religião” que os cultua. Quer, com o Vaticano II, uma “nova igreja” “em espírito” (11.1). Perverteu o “criterium veritatis”, o “criterium fidei”. É “a fide devius”. O critério da verdade é “universal” comum a todos, clérigos e leigos (D.S. 639). Não é “de cada um para si” (3.3), “sentença do próprio espírito” (3.10). Isto é herético (Tit. 3,10-11). O “guia vivo” mudou a luz pelas trevas (Is. 5,20). Quem o faz “já está condenado pelo próprio juízo” (Jo 3,18).

Conclusão

Pelo visto o “guia vivo atual” de Campos não é fiel à Igreja Católica tradicional. É desviado da Fé, ligado a outros desviados como Montini, Wojtyla e Ratzinger. Quer negar aos fiéis o direito e o dever de julgar os heréticos, pelos seus desvios na Fé, contra a “fé universal comum a todos, clérigos e leigos” (D.S. 639). Quer mudar a Fé “conforme as circunstâncias”, com “interpretações diferentes” nos tempos; repelindo o Magistério póstumo dos papas mortos e os “escritos” de pessoas mortas, como o são todos os das Sagradas Escrituras. Delas só restariam alguns “princípios perenes” escolhidos livremente pelos infiéis.

Isso é o “Atualismo ético” “fora da Fé” condenado por Pio XII em 18.04.1952, o qual leva ao Relativismo dogmático, destruidor da Igreja Católica (Pio XII – Humanii generis).

Ele quer mudar a obediência ao Vigário de Cristo, pela obediência ao “Vigário do povo”; substituir a Igreja Católica pela “nova igreja ecumênica”, “falsa religião cristã” (Pio XI – Mortalium animos). Quer mudar o “obscurecimento total da verdade” existente nas mentes dos heréticos, transferindo-o para as mentes dos fiéis ao Magistério universal dos fiéis à Tradição. Quer mudar o “Separamini” de São Paulo pela “união” dos ecumênicos. Quer o Modernismo agnóstico que afirma o “direito de não seguir a verdade”, substituindo o Realismo e a Fé que impera a necessidade e o dever de seguir a verdade.

O Símbolo atanasiano confessa: “Quem quiser se salvar, antes de tudo, é necessário que mantenha a fé católica, a qual, a não ser que a mantenha íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá eternamente” (D.S. 75). “A Igreja crê, professa e prega que ninguém que exista fora da Igreja, não só os pagãos, mas também os judeus, os heréticos e os cismáticos, pode tornar-se participante da vida eterna; mas que ele irá para o fogo eterno, preparado para o Diabo e para os seus anjos” (D.S. 1351). “Quem não crê já está condenado” (Jo 3,18). Donde para o “guia vivo atual” de Campos, resta somente um único caminho, o caminho antigo: Voltar para a Casa Paterna donde não devia ele ter saído; “romper o mesmo jugo com os infiéis” e “separar-se” dos que pregam o “direito de não seguir a verdade universal” (2.9), mas sim o “juízo próprio livre”, individual, “de cada um para si” (3.3). É a norma de São Paulo (2 Cor. 6,14-18). “Pedro, saindo fora – do meio dos inimigos de Cristo – chorou amargamente” (Lc. 22,62). Para Judas disse Cristo: “Amigo, para que vieste?” (Mt. 26,50). Judas traía a Cristo; Satanás entrara nele. Quer o “guia vivo” de Campos seguir às lágrimas de São Pedro ou aos caminhos de Judas? Amigo, siga a luz universal; não as trevas individuais do “novo caminho” do “direito de não seguir a verdade”. É o do “non serviam” de Lúcifer.


“Non pro mundo rogo, sed pro his quos dedisti mihi”

(Jo. 17,9)

…

“Ut inimicos sanctae Ecclesiae humiliare digneris,

te rogamos audi nos”

…

A bandeira da liberdade religiosa

– o arco-íris – é comum aos

bispos da “nova igreja” e aos

seguidores de Sodoma: a liberdade

para o mal. É significativo!